Pastejo rotacionado é boa opção para engorda do boi e redução da degradação das áreas de pastagem

O sistema pode ser implantado em pequenas, médias e grandes propriedades, não existe uma limitação do tamanho da área

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Pastejo rotacionado é boa opção para engorda do boi e redução da degradação das áreas de pastagem
11deJaneirode2022ás16:34

O Brasil lidera o ranking mundial na criação de bovinos, o que torna a manutenção e a conservação das áreas de pastagens fundamentais para o bem-estar do animal, para a engorda e para o aumento da produtividade leiteira. Uma alternativa bem-sucedida para manejo dos pastos com consequente retorno no ganho do peso dos animais é o pastejo rotacionado – sistema sobre o qual o produtor rural precisa estar familiarizado para colher bons resultados na prática. 

Atualmente, o país conta com 170,7 milhões de hectares de áreas de pastagens. Desse total, 44,3 milhões de hectares apresentam degradação severa e 53,4 milhões de hectares, intermediária. Para chegar a esses dados, por meio da análise de big data, foram processadas 200 mil imagens de satélite, desde 1985. O mapeamento das áreas de pastagens no Brasil é uma iniciativa inédita realizada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) dentro da iniciativa MapBiomas, que reúne instituições de ensino superior, ONGs, empresas de tecnologia e financiamento exterior para produção de mapas sobre a cobertura do uso da terra no Brasil.

“A degradação é um processo que sofreu interferência contínua ao longo do tempo. Para evitar os danos, o pasto, como qualquer outra cultura agrícola, precisa ser continuamente manejado. Isso requer duas coisas: conhecimento técnico de manejo e investimentos, por meio de assistência técnica realizada via políticas públicas”, explica Laerte Guimarães Ferreira, professor do Instituto de Estudos Socioambientais da UFG e coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig).

“O manejo do pasto rotacionado evita a degradação e aumenta a produtividade. O animal também se beneficia com a melhora da colheita da forragem. Para nortear o manejo, é preciso observar a altura correta do capim para entrada do animal no piquete”, aponta Flávia Maria de Andrade Gimenes, pesquisadora do Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

No pastejo rotacionado, a área é dividida em três ou mais piquetes, que são pastejados em sequência por um ou mais bovinos. Ele difere da lotação contínua, em que os animais permanecem na mesma pastagem por um período maior (meses) e do pastejo alternado, no qual a pastagem é dividida em dois piquetes, que são pastejados de forma alternada.

O investimento do pastejo rotacionado conta com aquisição de cercas elétricas ou convencionais para subdividir os piquetes, oferta de água limpa aos animais e adubação correta do solo. Ele pode ser implantado em pequenas, médias e grandes propriedades, não existe uma limitação do tamanho da área.

rebanho bovino do Brasil soma 218,2 milhões de cabeças. O estado do Mato Grosso é o principal produtor do país, com 32,7 milhões de cabeças, seguido de Goiás com 23,6 milhões e Pará com 22,3 milhões. Outro destaque do setor é o leite, que soma 35,4 bilhões de litros produzidos por ano. Os dados integram a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 2020.

Na prática

A unidade do Instituto de Zootecnia em Nova Odessa, São Paulo, realizou um experimento de pastejo rotacionado com capim marandu, também chamado de braquiarão. Foram reservados 48 hectares da área para 500 bovinos em crescimento da raça Nelore. “Os resultados mostraram que o manejo do pasto é fundamental para o sucesso desse método. No pasto com altura de entrada adequada, 25 centímetros do marandu, a produção animal anual foi de 886 quilos por hectare. O animal que acessou as áreas com altura maior do pasto engordou menos, 683 quilos por hectare, independente da adubação aplicada”, explica Flávia Maria de Andrade Gimenes.

Em outro teste, foram aplicados 200 quilos de adubação nitrogenada por hectare. Os animais que entraram no pasto com capim medindo 35 centímetros produziram 720 quilos por hectares; em contrapartida, aqueles que entraram com 25 centímetros atingiram 1.010 quilos por hectare, ou seja, ganho de 28%. “No caso do experimento, o capim mais alto estava maduro, com poucos nutrientes, por isso o ganho de peso foi menor. É preciso estar atento à adubação e à altura do capim para não ocorrer perdas na produtividade”, complementa a pesquisadora do IZ-APTA.

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