Como os fungos podem controlar pragas e doenças na agricultura

O Instituto Biológico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios fomenta o estudo que usa fungos entomopatogênicos para combater pragas bem conhecidas

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Como os fungos podem controlar pragas e doenças na agricultura
11deJaneirode2022ás16:22

Todo agricultor que se dedica ao plantio teme, entre outras ameaças, a ação das pragas em suas lavouras. Mas uma pesquisa desenvolvida em São Paulo tem rendido boas notícias no trabalho de prevenção às investidas de espécies conhecidas por causarem prejuízo às plantações e seus produtores. 

Trata-se dos fungos do bem. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Biológico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IB-APTA), tem fomentado o estudo e a implantação de fungos entomopatogênicos que combatem pragas bem conhecidas pelos agricultores: a cigarrinha-da-raiz, na cana-de-açúcar, e a mosca-branca, na soja. Esses fungos são inimigos naturais dessas pragas, e ao serem inseridos nas cepas dessas plantações, são capazes de controlar naturalmente essas duas espécies, reduzindo ou eliminando a necessidade do uso de defensivos.

Segundo os biólogos P.R. Dalzoto e K.F. Uhry, “os estudos com fungos entomopatogênicos no Brasil começaram em 1923, quando foram identificadas duas espécies de cigarrinhas infectadas pelo fungo Metarhizium anisopliae. Esse fungo foi utilizado para combater a cigarrinha Tomaspis liturata, no primeiro trabalho de pulverização realizado no país. Na década de 1940, os fungos entomopatogênicos voltaram a ser objetos de estudo em Sergipe, na busca pelo controle de cigarrinhas da cana-de-açúcar, Mahanarva fimbriolata. Atualmente, existem instituições privadas e públicas realizando estudos e produzindo microrganismos para atuar no controle de pragas da agricultura. Um exemplo é o convênio entre a empresa Itaforte BioProdutos e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP)”. 

Ainda segundo os pesquisadores do Instituto Biológico, os fungos do bem não apenas protegem as lavouras, mas representam também um ganho econômico para os agricultores. Dados da Secretaria da Agricultura apontam que áreas em que eles foram utilizados no Estado – a um custo de R$ 145 por hectare para controle da cigarrinha-da-raiz, R$ 115 no controle do Sphenophorus levis, e R$ 45 para o controle da mosca-branca – representou uma economia anual de aproximadamente R$ 398,5 milhões. Sem contar os impactos ambientais e sociais do uso dessa tecnologia sustentável.

A disponibilização de cepas com os fungos do bem é feita pelo Controle Biológico de Campinas (SP). Para cada plantio, os agentes do instituto promovem ações estratégicas, conforme alguns fatores como demanda, região e tipo de plantio. De acordo com o IB, todas as 120 empresas brasileiras que produzem bioinsumos para controle do Sphenophorus levis (cujas larvas atacam a cana-de-açúcar), cigarrinha-da-raiz e mosca-branca usam tecnologia do Instituto Biológico. Além disso, empresas do Paraguai e Panamá também utilizam cepas do Instituto de pesquisa paulista. 

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