Embrapa: arroz precoce consome 8% menos água

Além da economia hídrica, a nova variedade também reduz a demanda de energia com irrigação

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Embrapa: arroz precoce consome 8% menos água
18deMarçode2022ás14:35

Em busca de uma cultivar de arroz de ciclo precoce, que utiliza menos água e de porte mais baixo – o que permite maior resistência ao acamamento –, pesquisadores da Embrapa desenvolveram a BRS A705 de arroz irrigado, com elevada produtividade e qualidade de grãos.

A utilização de cultivares de ciclos diferentes possibilita que o orizicultor realize a semeadura dentro da janela mais indicada, a qual é bem restrita nas áreas de cultivo de arroz.

A prática também ajuda a escalonar a colheita para que os grãos sejam colhidos dentro da faixa indicada para maximizar a qualidade industrial, com baixos percentuais de grãos gessados e elevada quantidade de grãos inteiros.

O uso de cultivares de ciclo precoce somente é implementada pelos orizicultores se as cultivares disponíveis apresentarem elevado potencial produtivo. “Poderá haver alguma redução de produtividade, devido ao ciclo menor, mas que será compensada pela redução dos custos de irrigação, na comparação com cultivares de ciclo mais longo, as quais tendem a ser mais produtivas na comparação com as de ciclo mais curto”, esclarece Élbio Treicha Cardoso, pesquisador do Núcleo Temático de Grãos da Embrapa Clima Temperado.

A BRS A705 demanda menor quantidade de água para a sua produção, em função do ciclo precoce. “Em média, há uma redução em torno de 8% na demanda de água, tendo como referência uma cultivar de 130 dias de ciclo, da emergência à maturação. Além de menos água, haverá menor demanda de energia para a irrigação, o que ocasiona melhor exploração dos recursos hídricos e energéticos disponíveis”, informa o pesquisador da Embrapa.

Arrozais

O porte baixo da cultivar BRS A705 lhe confere maior tolerância ao acamamento, o que colabora para maior flexibilidade no manejo de adubação, em especial nitrogenada, mas também na densidade e época de semeadura e altura da água utilizada na irrigação.

Esse aspecto é levantado pelo engenheiro agrônomo Edivani Eufrásio Coelho, de Turvo (SC), responsável pela condução da multiplicação de sementes da cultivar BRS A705, em 9 hectares, na Agrogiusti Sementes. “É preciso maior cuidado no manejo de água porque não é um material que tem o colmo grosso, assim é necessário ter cuidado para não deixar as plantas cultivadas em água muito funda, pois isso conferirá menor resistência da variedade ao acamamento”, observa.

Para o consultor técnico João Luís Carricio Viero, da Brazeiro Sementes (empresa licenciada na produção de sementes da BRS A705 em Uruguaiana/RS), a cultivar apresenta características de solo e clima (radiação) satisfatórios para extrair um bom potencial. “Em relação ao manejo, não encontramos dificuldades, pois é uma cultivar que passa bastante segurança ao incrementarmos tecnologias nas lavouras, pois não corre o risco de acamar”, declara.

Além do registro e recomendação de cultivo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, está sendo solicitado ao Ministério da Agricultura (Mapa) a extensão para semeadura nos estados de Goiás, Maranhão, Roraima e Tocantins, em função da excelente adaptação da BRS A705 também nas regiões tropicais.

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