Drone já rivaliza com trator em escala de pulverização

Precisão e eficiência são diferenciais na aplicação de adjuvantes com vants

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Segundo empresa, eles são até 30% mais eficazes na aplicação de adjuvantes e economizam água. (foto - Agrocete)

Segundo empresa, eles são até 30% mais eficazes na aplicação de adjuvantes e economizam água. (foto - Agrocete)

04deAgostode2022ás16:41

Os drones agrícolas já são capazes de cobrir 12 hectares em uma hora de operação, área semelhante à realizada por um pulverizador tratorizado de arrasto com tanque de 600 litros.

A informação é da Agrocete, multinacional brasileira que desenvolve adjuvantes agrícolas. Segundo Andrea de Figueiredo, diretora de Marketing da empresa, além da rapidez, a precisão é uma vantagem, o que é fundamental para o produtor.

“Esse tipo de equipamento consegue entregar os insumos de forma bem dirigida e precisa nas plantas. É o que chamamos de efeito downwash, que direciona o produto para baixo, parecido com o de um helicóptero”, explica.

Na prática, isso significa até 30% mais eficácia na pulverização do que equipamentos tratorizados de arrasto e grande economia de água. De acordo com ela, o volume de calda de um drone é baixíssimo, entre 10 e 15L/há, contra em média 80-100L/há na aplicação terrestre.

Diversas culturas

Isso vale para diversas culturas, como soja, café, milho, cana-de-açúcar, eucalipto e até em frutas, como a laranja, entre outras.

Aplicações com drones realizadas em uma plantação de batata, pela empresa Agrifoto, com sede em Curitiba/PR, especializada na aplicação de defensivos agrícolas e fertilizantes por meio de drones, apontam um desempenho superior dos produtos.

Humberto Gabardo, engenheiro agrônomo e um dos responsáveis pela Agrifoto, elenca muitos benefícios, dentre eles o fato das aplicações serem feitas em (UBV), ultrabaixo volume de calda. “Conseguimos diminuir as gotas, a deriva e isso, sem dúvidas, é um ganho enorme durante a aplicação”, explica.

Os benefícios são tantos que já se registra uma tendência de aumento na procura por esses produtos, refletindo o potencial brasileiro para a ampliação do uso de drones na agricultura, o que já é uma realidade em outros países.

“Aqui na Agrocete, a previsão é encerrar 2022 com um crescimento de 65% nas vendas dos produtos que compõem a linha de adjuvantes específica para a aplicação com drones”, afirma a diretora.

Controle de ervas daninhas

A Agrocete vem registrando bons resultados junto às instituições de pesquisas, como a 3M estação experimental, de Ponta Grossa/PR, em que foi analisado o controle de plantas daninhas, que causam forte impacto na redução da produtividade do trigo e de outras lavouras.

“É muito interessante ver também que o tratamento sem nenhum controle das daninhas teve uma produtividade 65% inferior ao melhor controle. Ou seja, sem um manejo adequado, que permita o bom desenvolvimento das lavouras, a produtividade de grãos seria de menos da metade, exigindo maior área cultivada para a colheita de uma mesma quantidade de alimento”, reforça Andrea.

Tendência mundial

O uso de drones na agricultura é uma realidade mundial. Na China, os drones não apenas fazem parte da rotina do agro como foram responsáveis por ajudar a garantir a produtividade das lavouras diante de uma população crescente, mais velha e dependente de alimentos. Estima-se que o país tenha cerca de 100 mil drones voltados para a agricultura de forma estratégica.

No Brasil, embora o uso ainda seja tímido, o mercado trabalha com otimismo na ampliação desse sistema e, por isso, investimentos voltados para essa área são externamente bem-vindos.

Das 80 mil aeronaves não tripuladas cadastradas em 2021 pela ANAC, a Agência Nacional de Aviação Civil, 1,87% eram destinadas para a agricultura em solo brasileiro. “Estamos trabalhando para trazer novidades na área de tecnologia de aplicação voltadas aos drones”, explica Andrea.

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