Fique ligado no clima

O uso de novas tecnologias e soluções da agricultura tradicional mitigam o efeito das secas e dos veranicos sobre a produtividade das lavouras. Por Xico Graziano

Por |
Fique ligado no clima
24deJaneirode2022ás17:35

Chuvas intensas causam enormes danos, rurais e urbanos, em Goiás, Minas Gerais e Bahia. No Sul, severa seca causa perdas na safra gaúcha e paranaense. O que está acontecendo com o clima?

Ninguém sabe ao certo. Há pelo menos 50 anos, agricultores mais velhos relatavam que a temporada de chuvas parecia estar se alterando. Mais recentemente, estudiosos apregoam as mudanças climáticas como resultado do aquecimento planetário, causado pela emissão, antrópica, de gases do efeito estufa.

Há quem discorde dessa teoria patrocinada pela ONU. Os cientistas céticos argumentam ser ínfima a contribuição humana na mudança de clima. Essa seria causada por fenômenos físicos e cósmicos incontroláveis.

Independentemente das causas, o clima realmente está mudando no Brasil. Aliás, o clima da Terra nunca permaneceu o mesmo, alternando eras glaciais com esquentamentos milenares, acompanhado de tudo quanto é tormentoso nessa matéria, como secas, enchentes, furacões e outras desgraças naturais.

Não é de hoje que existem as secas ou as enchentes. Fazem parte da história natural, afetando a civilização desde os primórdios. Isso, porém, não justifica desprezar o assunto. Produtor rural que se preze deve ficar atento à agenda das mudanças climáticas. Menos importa a causa, mais interessa as consequências.

Como mitigar o efeito das secas e dos veranicos, ou do calor intenso, sobre a produtividade das lavouras? E a chuvarada, no plantio ou lá na frente, na colheita, como amenizar seus danos?

Os pesquisadores da agropecuária, agregados em instituições espalhadas pelo mundo, dedicam-se a descobrir, inventar e aprimorar técnicas capazes de enfrentar mudanças climáticas. Na agenda do clima isso se chama “adaptação”.

Há tecnologias antigas capazes de auxiliar a prática agrícola e pecuária do futuro, como por exemplo a irrigação. As novidades, nesse caso, prendem-se às ferramentas, quase sempre digitais, que controlam o sistema para operar com mínimo consumo, localizado, de água, combinado com elevada eficiência energética. Associado com fertirrigação e controle fitossanitário.

Típica do século 21, a nanotecnologia, ainda pouco conhecida, mal começou a mostrar sua valiosa serventia, em inúmeros processos que facilitam o aproveitamento de fertilizantes, o enraizamento de plantas, armazenamento de água no solo, rações altamente eficientes e por aí vai.

O auxílio da engenharia genética será decisivo. Variedades geneticamente modificadas, algumas já descobertas, serão fundamentais na resistência de plantas ao calor e ao déficit hídrico. A revolução genômica está apenas começando.

Negar as mudanças climáticas e ficar parado no tempo é uma atitude condenável ao agricultor moderno e tecnológico. Fará ele perder oportunidades e dinheiro. Fique ligado nisso. A sustentabilidade está, cada vez mais, associada à rentabilidade do agro.

Cargando...