Governo flexibiliza fiscalização da soja após pressão de tradings e tenta aliviar embarques para a China
Mudança permite que empresas supervisoras voltem a coletar amostras nos portos, enquanto o Ministério da Agricultura mantém inspeção direta em parte das cargas
Por |
O Ministério da Agricultura e Pecuária decidiu flexibilizar os procedimentos de fiscalização fitossanitária aplicados às cargas de soja destinadas à exportação para a China após pressão de tradings e relatos de paralisação de embarques no pico da colheita brasileira.
A mudança foi formalizada por meio de ofício da Vigilância Agropecuária Internacional e passa a valer imediatamente para carregamentos que ainda não tiveram amostras coletadas para análise.
Pelas novas regras, as amostras usadas para emissão do certificado fitossanitário — documento obrigatório para exportação — voltarão a ser coletadas pelas empresas supervisoras de embarques contratadas pelas tradings nos portos. Nas últimas semanas, essa tarefa vinha sendo realizada diretamente por fiscais agropecuários do governo.
>> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP
>> ENCONTRE PRODUTOS E SOLUÇÕES PARA O AGRO NO AGROFY MARKET
Mesmo com a alteração, o ministério manterá fiscalização direta em cerca de 10% das cargas, nas quais os próprios fiscais continuarão coletando material para análise laboratorial.
A expectativa do setor é que a medida ajude a destravar os embarques no período de maior oferta da safra brasileira. Exportadoras vinham relatando dificuldades para obter o certificado sanitário exigido para embarques ao mercado chinês, principal destino da soja do Brasil.
Entre os casos mais emblemáticos está o da Cargill, que chegou a suspender exportações de soja brasileira para a China e interromper temporariamente compras no mercado interno diante das incertezas sobre a liberação das cargas. Cofco International e CHS Agronegócio também relataram entraves nos embarques.
Após a adoção de critérios mais rigorosos de inspeção, a comercialização semanal de soja chegou a cair para cerca de um quarto do volume registrado na semana anterior, segundo apuração do setor.
Pressão sanitária da China
O impasse começou após notificações das autoridades chinesas sobre a presença de plantas daninhas quarentenárias em carregamentos enviados ao país asiático.
Segundo o Ministério da Agricultura, foram identificadas espécies consideradas ausentes na China, o que impede a emissão do certificado fitossanitário exigido para exportação.
Diante dessas notificações, o governo brasileiro passou a aplicar um protocolo mais rigoroso de inspeção nos portos. Fontes do setor afirmam que a medida buscava reforçar a credibilidade do sistema sanitário brasileiro no controle de materiais que não sejam soja nas cargas exportadas.
Reunião com tradings
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, deve se reunir ainda nesta segunda-feira (16) com representantes das tradings exportadoras para discutir ajustes no sistema de inspeção e evitar novos gargalos logísticos. O encontro terá participação de entidades como a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais.
Representantes do ministério também devem viajar à China na próxima semana para reuniões bilaterais com autoridades do país asiático. A pauta inclui temas sanitários e fitossanitários ligados ao comércio agropecuário, com foco nas exportações de soja.
A China responde pela maior parte das compras da oleaginosa brasileira e, em alguns períodos do ano, concentra mais de três quartos das exportações do produto.