Governo flexibiliza fiscalização da soja após pressão de tradings e tenta aliviar embarques para a China

    Mudança permite que empresas supervisoras voltem a coletar amostras nos portos, enquanto o Ministério da Agricultura mantém inspeção direta em parte das cargas

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    Governo flexibiliza fiscalização da soja após pressão de tradings e tenta aliviar embarques para a China
    16deMarçode2026ás16:42

    O Ministério da Agricultura e Pecuária decidiu flexibilizar os procedimentos de fiscalização fitossanitária aplicados às cargas de soja destinadas à exportação para a China após pressão de tradings e relatos de paralisação de embarques no pico da colheita brasileira.

    A mudança foi formalizada por meio de ofício da Vigilância Agropecuária Internacional e passa a valer imediatamente para carregamentos que ainda não tiveram amostras coletadas para análise.

    Pelas novas regras, as amostras usadas para emissão do certificado fitossanitário — documento obrigatório para exportação — voltarão a ser coletadas pelas empresas supervisoras de embarques contratadas pelas tradings nos portos. Nas últimas semanas, essa tarefa vinha sendo realizada diretamente por fiscais agropecuários do governo.

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    Mesmo com a alteração, o ministério manterá fiscalização direta em cerca de 10% das cargas, nas quais os próprios fiscais continuarão coletando material para análise laboratorial.

    A expectativa do setor é que a medida ajude a destravar os embarques no período de maior oferta da safra brasileira. Exportadoras vinham relatando dificuldades para obter o certificado sanitário exigido para embarques ao mercado chinês, principal destino da soja do Brasil.

    Entre os casos mais emblemáticos está o da Cargill, que chegou a suspender exportações de soja brasileira para a China e interromper temporariamente compras no mercado interno diante das incertezas sobre a liberação das cargas. Cofco International e CHS Agronegócio também relataram entraves nos embarques.

    Após a adoção de critérios mais rigorosos de inspeção, a comercialização semanal de soja chegou a cair para cerca de um quarto do volume registrado na semana anterior, segundo apuração do setor.

    Pressão sanitária da China

    O impasse começou após notificações das autoridades chinesas sobre a presença de plantas daninhas quarentenárias em carregamentos enviados ao país asiático.

    Segundo o Ministério da Agricultura, foram identificadas espécies consideradas ausentes na China, o que impede a emissão do certificado fitossanitário exigido para exportação.

    Diante dessas notificações, o governo brasileiro passou a aplicar um protocolo mais rigoroso de inspeção nos portos. Fontes do setor afirmam que a medida buscava reforçar a credibilidade do sistema sanitário brasileiro no controle de materiais que não sejam soja nas cargas exportadas.

    Reunião com tradings

    O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, deve se reunir ainda nesta segunda-feira (16) com representantes das tradings exportadoras para discutir ajustes no sistema de inspeção e evitar novos gargalos logísticos. O encontro terá participação de entidades como a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais.

    Representantes do ministério também devem viajar à China na próxima semana para reuniões bilaterais com autoridades do país asiático. A pauta inclui temas sanitários e fitossanitários ligados ao comércio agropecuário, com foco nas exportações de soja.

    A China responde pela maior parte das compras da oleaginosa brasileira e, em alguns períodos do ano, concentra mais de três quartos das exportações do produto.

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