Setor leiteiro: produtividade cresceu 59% entre 2011 e 2020

Estudo da FIESP indica que consumo médio de lácteos pode crescer mais de 50% no país

Por |
Setor leiteiro: produtividade cresceu 59% entre 2011 e 2020
09deMaiode2022ás10:21

O rebanho de vacas ordenhadas no Brasil caiu quase 30%, de 23,2 milhões de cabeças para 16,2 milhões, mas a captação de leite aumentou 10%, de 32,1 bilhões para 35,4 bilhões de litros, entre 2010 e 2020.

A redução no número de animais e o incremento no volume de leite nas propriedades é resultado de uma maior produtividade, que saltou 59% no mesmo período. O dado é parte de minucioso estudo Agronegócio do Leite: Produção, Transformação e Oportunidades, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A partir do documento, o principal recado ao setor é: o caminho para continuar crescendo, não só em potencial de produtividade, mas em ecossistema, encontra-se na integração entre produtores pecuários do leite e indústria processadora (bem como a parceria de iniciativa pública e privada) e na constância de investimentos na tecnologia.

Segundo o IBGE, a indústria de laticínios é a terceira maior entre os ramos industriais alimentícios no País, com 13% do valor bruto da produção industrial, atrás apenas dos setores de abate e fabricação de produtos de carne (35%) e fabricação de óleos e gorduras vegetais e animais (15%).

Ainda de acordo com o estudo da Fiesp, os produtores leiteiros no Brasil geraram R$ 56,5 bilhões em valor da produção agropecuária, com um crescimento real (deflacionado pelo IGP-DI de 2020 da FGV) de 17% em comparação aos R$ 48,4 bilhões de 2011.

“Se o Brasil aprimorar seu sistema de produção, poderemos atingir os níveis dos grandes players e traduzir esse crescimento em investimentos nas áreas de nutrição, saúde e mecanização da produção pecuária”, acredita Roberto Betancourt, diretor titular do Departamento de Agronegócio da Fiesp.

“O agronegócio, por definição, representa uma cadeia de valor longa, com uma capilaridade relevante em todas as regiões do País e forte componente econômico-social, e investimentos nessa cadeia podem gerar benefícios importantes em termos de agregação de valor e desenvolvimento regional”, completa.

Segundo Fiesp, em que pese o crescimento no desempenho do setor nacional, os números ainda não refletem o potencial do mercado. Isso porque os 2.192 mil litros/cabeça registrados em 2020 seguem muito aquém dos resultados obtidos por outros importantes atores globais, como Estados Unidos (10,8 mil litros por cabeça), União Europeia (7,2 mil litros por cabeça) e Nova Zelândia (4,5 mil litros por cabeça).

Uma explicação está em grande parte na desigualdade da produção brasileira, que concentra-se no Sul e Sudeste, enquanto as regiões Norte e Nordeste apresentam produtividades baixas. 

Consumo doméstico

Outro elo da cadeia que proporciona desafios e oportunidades para a categoria é o consumo doméstico. O consumo per capita de produtos lácteos no Brasil cresceu somente 3% entre 2011 e 2020 (saindo de 168 litros por habitante/ano para 172 litros por habitante/ano), ficando abaixo da taxa de crescimento da população brasileira, que foi de 8% no período.

O consumo per capita de leite e derivados também está abaixo do volume absorvido por Estados Unidos (327 litros/ano), Europa (233 litros/ano) e Argentina (265 litros/ano), com destaque especial para o nosso vizinho sul-americano.

“Nosso consumo médio de lácteos tem potencial de aumentar mais de 50%, e se equiparar ao da Argentina, país com o qual compartilhamos aspectos econômico-sociais semelhantes”, análisa Carlos Humberto, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Derivados do Estado de São Paulo (Sindileite).

Da mesma forma, é importante enxergar o potencial do mercado internacional. Exemplos são os acordos recentes firmados entre o Ministério da Agricultura do Brasil e o governo chinês que geram uma perspectiva positiva para os produtos brasileiros a mais longo prazo.

“A China é uma das principais economias do mundo e uma grande importadora de alimentos”, diz Betancourt. “Acreditamos que os chineses intensificarão a transformação da produção animal em seu país e importarão parte relevante de sua necessidade de proteína animal de países com elevado nível de qualidade sanitária, como é o caso do Brasil”, analisa.

Em 2020, o Brasil teve participação de 0,1% nos US$ 81 bilhões gerados pelo comércio global de produtos lácteos. Segundo dados do COMEXSTAT, vinculado ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a balança comercial do setor teve um déficit de US$ 377,7 milhões em 2021.

Setor leiteiro

O estudo foi desenvolvido com base em fontes oficiais e públicas, com destaque nas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Dentre as pesquisas utilizadas destacamos a Pesquisa Industrial Anual - Empresa (IBGE/PIA-E), que retrata as características estruturais dos segmentos industriais no Brasil.

O objetivo foi demonstrar a complexidade e a relevância desse setor, que se estende da produção de insumos agropecuários (antes da porteira), passa pela atividade básica (dentro da porteira), o processamento industrial dos produtos e os serviços envolvidos na cadeia até chegar na mesa do consumidor (depois da porteira).

Cargando...