Lucro da produção de grãos cai até 47,8% com alta dos fertilizantes

CNA avaliou impacto entre produtores de grãos nas principais regiões agrícolas do país

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Lucro da produção de grãos cai até 47,8% com alta dos fertilizantes
07deJunhode2022ás15:39

A alta mundial nos preços dos fertilizantes, intensificada com o conflito entre Rússia e Ucrânia, já impacta na margem de lucro dos produtores de grãos das principais cidades brasileiras e envolvendo a safra 2022/2023. 

Dados do projeto Campo Futuro, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o CEPEA /USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) apontam que, somente nos primeiros quatros meses do ano,  os custos com insumos na produção de soja, em Sorriso (MT), subiram 23,4%. Já na produção do milho verão, em Castro (PR), o orçamento para compra teve alta de 46%, entre de janeiro a abril.

Desta forma, os reajustes nos preços dos fertilizantes já estão sendo repassados aos custos envolvendo a próxima safra.

Soja como exemplo

No caso da produção de soja, o preço por tonelada de fertilizantes saltou de R$ 2.382,53 em janeiro para R$ 2.941,66/tonelada em abril. 

Assim, em simulação de cenários com base na compra de fertilizantes, a análise da CNA/Cepea revela que a redução na margem de lucro do produtor pode variar entre 1,2% e 19,3%.

Isso porque, de acordo com o estudo, o produtor que conseguiu fazer a trava de preços de fertilizantes no primeiro mês do ano - e considerando o preço médio da saca de 60 kg em R$ 172,80 (preço médio de abril) -  teria uma redução de margem de 1,2% em relação à safra 2021/2022.

Por outro lado, o agricultor que orçou a compra de fertilizantes para a próxima safra em abril, e levando em conta o mesmo preço da saca de R$ 172,80, atingiria uma redução de 19,3% na margem no período 2022/2023 na comparação com a safra anterior. 

Cenário do Milho é ainda pior 

Já no caso do milho verão produzido em Castro (PR), o orçamento para a compra de insumos variou entre R$ 2.866,47/tonelada e R$ 4.190,39/tonelada no período de janeiro a abril de 2022 – uma alta de 46%.

Desta forma, no cenário para a compra de fertilizantes em fevereiro e a simulação da saca do grão comercializada a um preço médio de R$ 78,91 (valor médio de abril), o produtor teria uma redução de 8,3% na margem.

Já na simulação com o orçamento feito em abril/22, e com a saca comercializada pelos mesmos  R$ 78,91, a margem seria reduzida em 47,8%.

 

 

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