Área agrícola cresceu 50,1% no Brasil em 20 anos, diz IBGE

    Estudo mostra avanço também da pastagem com manejo

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    Segundo pesquisa, 65,6% do total de terra foi convertida em área agrícola. (foto - divulgação IBGE)

    Segundo pesquisa, 65,6% do total de terra foi convertida em área agrícola. (foto - divulgação IBGE)

    07deOutubrode2022ás16:02

    Entre 2000 e 2020, o Brasil perdeu 513,1 mil km² de vegetação campestre e florestal. O número equivale a 6% de seu território, segundo a pesquisa Contas Econômicas Ambientais da Terra: Contabilidade Física, divulgada nesta sexta (dia 7) pelo IBGE. 

    No mesmo período, o levantamento revela o crescimento de 71,4% (36 mil km²) da área da silvicultura, de 50,1% (229,9 mil km²) da área agrícola e de 27,9% do espaço destinado a pastagem com manejo (247 mil km²).

    A pesquisa, inédita ao demonstrar as mudanças dos estoques do recurso no país de 2000 a 2020, é parte dos resultados do Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra, do IBGE.

    Em que pese as mudanças, a vegetação florestal segue como a maior classe em extensão de cobertura da terra no país, embora sua participação tenha reduzido de 46,2% para 42,5% da área total.

    Já a área de Vegetação campestre reduziu de 20,8% para 18,6%. As duas maiores classes seguintes cresceram: pastagem com manejo foi de 10,1% para 12,9% e a área agrícola saiu de 5,2% em 2000 para 7,9% em 2020.

    “A pesquisa mostra uma tendência de conversão de uso: destacando-se a expansão de áreas agrícolas sobre a vegetações campestres e pastagem com manejo, além de um crescimento da pastagem com manejo sobre as vegetações florestais”, desenvolve a gerente da pesquisa, Ivone Lopes Batista. 

    Conversões de terra

    No que diz respeito a participação nas conversões entre estoques de terra, destaque para a vegetação florestal (40,4% do total) e para vegetação campestre (24,3%), o que permite dizer que a vegetação natural representou 64,7% do total das conversões em 20 anos.

    Nesse período, aproximadamente 98,4 mil km² (18,2%) de vegetação natural foi convertida em área agrícola.

    Logo em seguida aparece Mosaico de ocupações em área florestal, com 19,2% do total. Considerando essa classe, 41,6 mil km² (20,5%) de terra foi convertido em área agrícola.

    Ainda em relação às conversões de terra no período (2000/2020), segundo o estudo, 72,5 mil km² de vegetação campestre e 85,3 mil km² de pastagem com manejo foram convertidos em área agrícola.

    O montante, 157,7 mil km² de terras, corresponde a 65,6% do total de terra convertida em área agrícola.

    As maiores expansões foram em Mato Grosso (56 mil km²), São Paulo (23,8 mil) e Goiás (21,3 mil).

    Pastagens e silvicultura

    Já o Pará foi a unidade da Federação com a maior expansão de pastagem com manejo: 87,8 mil km²; e com maior redução de vegetação natural, 123,2 mil km²,

    Em seguida vem o Mato Grosso (45,9 mil km²) e Rondônia (35,9 mil km²).

    Os três estados, na mesma ordem, tiveram as maiores reduções de vegetação natural, 123,3 mil, 97,8 mil e 40,8 mil km², respectivamente.

    “Nota-se uma expansão das Pastagens com manejo se estendendo da Região Centro-Oeste para a Região Norte”, explica Ivone.

    A silvicultura avançou, principalmente, sobre as áreas de vegetação campestre, mosaico de ocupações em área florestal e Pastagem com manejo. As maiores expansões foram em Mato Grosso do Sul (7,8 mil km²), Minas Gerais (6,6 mil km²) e Rio Grande do Sul (4,8 mil km²). 

    Matopiba

    As análises da publicação apresentam a dinâmica de mudanças, com destaque importante nas bordas da Amazônia, no Matopiba, no sul do Rio Grande do Sul e no trecho que engloba o Oeste Paulista e o leste do Mato Grosso do Sul e de Goiás.

    “Essas conversões são desiguais no território. Em algumas áreas, avançam bastante e, em outras, são contidas por áreas especiais, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas ",

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