Como a avicultura de corte em MS cresceu 46,3% em 10 anos?

    Em 2022, preço médio do frango abatido teve alta de 19,7%

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    Cadeia integrada entre agroindústria e produtores rurais é diferencial. (foto - Embrapa)

    Cadeia integrada entre agroindústria e produtores rurais é diferencial. (foto - Embrapa)

    18deOutubrode2022ás11:33

    Uma série de iniciativas de incentivo, liderada pela criação do Proape (Programa de Avanços da Pecuária de Mato Grosso do Sul), contribuiu para o crescimento de 46,32% do setor da avicultura de corte em Mato Grosso do Sul nos últimos 10 anos. 

    O dado é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e reforça o quanto o Estado vem assumindo a liderança do setor no País.

    Como exemplo, entre janeiro e setembro de 2022, o preço médio do frango abatido no atacado de Mato Grosso do Sul foi 19,7% superior se comparado ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Ceasa/MS (Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul).

    Segundo a Iagro/MS (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul), o número de abates também cresceu no período, saindo de 131,6 milhões de cabeças abatidas em 2021, para 133,1 milhões neste ano.

    Números do MDIC (Ministério da Indústria e Comércio Exterior e Serviços) detalham que o volume da carne de frango in natura exportada nos 9 primeiros meses de 2022 foi de 137,9 mil toneladas, totalizando US$ 290 milhões em faturamento na comercialização.

    Os principais destinos da proteína são o Japão, China e Emirados Árabes Unidos, que juntos representam 45,58% da receita total.

    Qual a receita? 

    “Os consumidores, tanto internos como externos, buscam alimentos cada vez mais seguros e nosso estado possui um celeiro de oportunidades para esse setor, pois temos grãos, solo e clima favoráveis, pontos importantes para a biosseguridade das granjas”, destaca o consultor técnico do Sistema Famasul, Fernando Bressan.

    Ele destaca que, para auxiliar os produtores rurais a atender os altos níveis de exigência e o padrão de modernidade, existe o PROAPE – Frango Vida/MS (Programa de Avanços da Pecuária de Mato Grosso do Sul).

    O objetivo vem sendo o de auxiliar na expansão da atividade no estado, além de buscar apoio para as ações de regularização ambiental, sanitária e trabalhista, por meio de incentivo financeiro ao avicultor que aplicar o “tripé da sustentabilidade” no sistema produtivo.

    Os benefícios podem chegar até 50% do valor do ICMS, devido nas operações internas, sendo que 32% são para aqueles que cumprirem todos os critérios obrigatórios e 1,5% para cada critério complementar cumprido, limitado ao total de 18%.

    “A produção de frangos de corte em Mato Grosso do Sul está alicerçada no sistema de integração”, afirma a consultora técnica, Fernanda Lopes.

    “A agroindústria que fornece ao produtor integrado os pintos, a ração, assistência técnica, se responsabiliza pelo abate e pela comercialização do frango abatido e o produtor entra com as instalações, os equipamentos, o aquecimento”, explica.

    Legislação ajudou

    A relação de integração entre produtor e indústria foi regulamentada pela Lei 13.288/2016, conhecida como “Lei da Integração” que define os direitos e deveres das partes com elementos que auxiliam na gestão.

    Como forma de gerir a relação entre os representantes dos produtores integrados e da indústria integradora, a legislação também prevê a criação da CADEC (Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação na Integração).

    Em Mato Grosso do Sul existem quatro no setor de avicultura, localizadas nos municípios de Sidrolândia, Dourados, Caarapó e Glória de Dourados.

    Também a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vem ajudando. A entidade desenvolveu o projeto “Negociando com a Agroindústria Integradora”, para auxiliar os produtores rurais durante as reuniões de CADEC, com apoio de consultores especialistas.

     “Com os incentivos financeiros concedidos pelo Subprograma PROAPE-Frango Vida/MS e com o suporte às CADECs do estado, o avicultor terá oportunidade de realizar reinvestimentos na granja e obter os melhores resultados nas negociações com a indústria integradora da qual faz parte”, finaliza, Fernanda. 

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