Governo do Rio Grande do Sul pede ajuda da Embrapa para mitigar danos da seca
Encontro entre representantes do governos e líderes da Embrapa tratou estiagem como prioridade
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Lavoura de milho. (foto - Emater-RS)
A estiagem, que mais uma vez preocupa o Rio Grande do Sul, esteve entre os temas centrais do "1º Encontro com Diretores e Técnicos da Embrapa do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná", realizado na semana passada.
A discussão, que reuniu chefes da Unidades do Sul da Embrapa com representantes do Governo, buscou compartilhar tecnologias que ajudem o Estado a mitigar os efeitos da falta de chuva, bem como auxiliem no enfrentamento de mudanças climáticas, cada vez mais recorrentes.
O Rio Grande do Sul enfrenta a terceira seca consecutiva, com risco de faltar água potável, segundo autoridades.
Até a última quarta, de acordo com dados da Defesa Civil, 207 municípios noticiaram situação de emergência, destes 173 estão decretados, 92 com homologação pelo Estado e 57 com reconhecimento federal.
Balanço da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), publicado na sexta (dia 27), diz que as perdas para produtores são variáveis de região para região, visto que as chuvas são esparsas, mas destacou que existem locais com perdas de 100% em lavouras de milho grão e silagem.
O governo gaúcho reforçou que trata como prioridade o tema. Um dos desafios é de ordem ambiental, que inviabiliza a reservação de água, uma vez que praticamente todos os 85 mil reservatórios existentes foram construídos antes de 1980, quando as políticas ambientais ficaram mais restritivas.
Estima-se que aproximadamente 324000 ha estejam sob irrigação no RS, o que representa menos de 5% das culturas de sequeiro.
Lideranças da Embrapa
Na ocasião, pesquisadores da Embrapa no setores de suínos e aves, pecuária sul, florestas, soja, trigo, uva e vinho e clima temperado e Pecuária Sul foram recebidos pelo secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Giovani Feltes.
Segundo Feltes, a iniciativa é importante porque busca aproximar o Estado das Unidades da Embrapa Sul e, assim, fortalecer as pesquisas relacionados ao desenvolvimento da agropecuária no Rio Grande do Sul.
Também estiveram presentes no encontro entidades como Federação da Agricultura do RS (Farsul), Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), Emater, além de técnicos da Secretaria de Agricultura.
Agro gaúcho
O Chefe Geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, apresentou tecnologias importantes para o crescimento do agro gaúcho, em alinhamento com as metas de descarbonização e enfrentamento das constantes estiagens que vêm assolando o estado.
Em seguida, cada uma das Unidades da Embrapa teve oportunidade de apresentar suas agendas.
Temas como carne de baixo carbono, biosseguridade, além de novas ações, como carne cultivada e xenotransplantes, estiveram entre as contribuições apresentadas pelo chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe,
Já segundo Erich Schaitza, da Embrapa Florestas, a reunião proporcionou a abertura de discussões técnicas constantes. “Essa é uma iniciativa dos centros localizados no Sul do Brasil para se fazerem presentes nos programas estaduais de desenvolvimento sustentável.
Schaitza enfatizou a importância da floresta em todas as propriedades rurais gaúchas, seja para a proteção de solos, água e biodiversidade, ou como um importante vetor econômico e de qualidade de vida.
“Trabalhar junto com o governo gaúcho é o melhor caminho para chegar ao usuário gaúcho”, disse.
Ao final, o secretário de Agricultura também apresentou a agenda prioritária e reforçou a importância da Embrapa estar sempre com as portas abertas para o diálogo e para a construção de soluções para as cadeias produtivas em benefício da sociedade.
O governo do RS vem trabalhando para atualizar o plano de de enfrentamento à estiagem, em parceria com Fórum Permanente de Combate à Estiagem.
Dois anos do Programa Duas Safras
A agenda dos chefes da Embrapa Sul continuou na Farsul, para discussão e ajustes sobre o projeto Duas Safras.
Participaram da reunião o secretário de Agricultura do Estado, Giovani Feltes; o ex-secretário da Agricultura Domingos, Velho Lopes; e o presidente Farsul, Gedeão Pereira, além de representantes de entidades ligados ao agro gaúcho.
De acordo com o chefe geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe, a reunião serviu para uma análise dos dois anos do Programa Duas Safras, que possibilitou a ampliação da área de cultivo do trigo.
"Em um levantamento realizado em 2016, sobre os desafios para a cultura do trigo, identificou-se a liquidez como o maior desafio. Em 2022, 70% do trigo do RS foi exportado, mostrando como essa cultura se profissionalizou e cresceu ", frisou Everton.
Outro ponto importante discutido na reunião foi sobre a adoção de cereais de inverno na indústria de alimentação animal, tema considerado estratégico para o estado que teve três das últimas quatro safras de milho comprometidas por problemas de estiagem.
"A perspectiva de produção de triticale e cevada para alimentação animal é vista como uma alternativa que precisa ser melhor compreendida pela indústria de alimentação animal, com subsídio dos trabalhos de pesquisa realizados pela Embrapa Suínos e Aves", comentou Krabbe.
Ele diz que, ainda este ano, a Embrapa pretende organizar um evento técnico com as indústrias de proteína animal para estimular a adoção do triticale e cevada na indústria de rações.