Saiba mais sobre como funciona o bloco Brics
Grupo se reúne na África do Sul e pode ser ampliado
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Lula chega à África do Sul para 15ª Cúpula do Brics. (Foto - Ricardo Stuckert/Agência Brasil)
O Brics é um grupo econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que vai se reunir pela 15ª vez a partir de amanhã dia (22), em Joanesburgo, África do Sul.
Dos países do bloco, estarão presentes os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Xi Jinping (China), e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Por causa da guerra na Ucrânia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, participará de forma remota, porém enviou um representante.
O grupo conta com 26% do Produto Interno Bruto (PIB) global e não possui um critério formal de filiação. O Brics funciona mais ou menos nos moldes do G7 (grupo das sete maiores economias do planeta), que periodicamente se reúne para discutir políticas externas.
Nos últimos anos, o Brics ganhou força ao promover acordos de cooperação mútua e constituir um banco de desenvolvimento, atualmente presidido pela ex-presidenta Dilma Rousseff.
O grupo nasceu de um acrônimo (palavra formada por iniciais) cunhado em 2001 por Jim O’Neil, então economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs. Na época, o economista tentava designar economias emergentes com alto potencial de crescimento no século 21. Cinco anos depois do nascimento, os quatro países constituíram um fórum formal de discussões.
O Bric promoveu a primeira reunião de chefes de Estado em 2009, na Cúpula de Ecaterimburgo, na Rússia. Em 2011, na terceira reunião de cúpula, em Sanya (China), a África do Sul foi incluída, e a sigla ganhou a letra s.
Banco
A partir de 2014, foi criado o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), também conhecido como Banco do Brics. Fundada formalmente em 2015, a instituição financia projetos de infraestrutura e crescimento sustentável nos países-membros. Em oito anos, o NDB emprestou US$ 33 bilhões para 100 projetos de infraestrutura, energia renovável, transporte, entre outras iniciativas.
Ainda em 2014, foi formado o Fundo de Reservas do Brics para preservar a estabilidade financeira dos países membros em tempos de crise. Reserva de recursos para ser usada como socorro em caso de necessidade, o fundo nasceu com US$ 100 bilhões.
Nos últimos três anos, o NDB expandiu-se e passou a permitir a adesão de países em desenvolvimento ou do chamado “sul global”. Bangladesh, Egito e Emirados Árabes Unidos ingressaram no banco. O Uruguai passará a integrar a instituição em breve.
Reunião sob tensão
A 15ª reunião do Brics ocorre sob a tensão da guerra entre Rússia e Ucrânia, que será discutido no evento, e o plano da China de permitir a ampliação do grupo. O bloco, no entanto, não divulgou a lista dos países que querem fazer parte do Brics.
Cerca de 40 países manifestaram interesse e listas paralelas de 18 candidatos passaram a circular nos últimos dias. A decisão sobre a inclusão de novos membros e uma eventual ampliação do acrônimo precisa ser tomada por consenso dos cinco integrantes atuais.
Além da integração financeira, o Brics traz oportunidades para a ampliação do comércio entre os países membros. O Brasil exporta comida, minérios e tecnologia para a extração de petróleo.
Uma política de integração, em contrapartida, aumenta o acesso do país a minérios raros e a tecnologias emergentes desenvolvidas pela China (como painéis solares, baterias de longo armazenamento, carros elétricos, 5G e inteligência artificial).
O Brasil também deve se beneficiar dos recursos naturais e energéticos da Rússia, dos produtos farmacêuticos e dos serviços de tecnologia de informação da Índia e dos minérios tradicionais (ouro, platina e diamante) da África do Sul.
Outra questão a ser discutida pelo grupo será sobre os planos para o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) – o Banco do Brics – relativo ao uso de moedas locais ou de uma eventual unidade de referência do Brics para transações comerciais.
Lula e livre comércio
O presidente Lula desembarcou hoje (dia 21) em Joanesburgo, África do Sul, para o encontro.
Além da Cúpula, o presidente brasileiro visitará também Angola e São Tomé e Príncipe.
Durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro afirmou que o Brasil direcionará esforços para acelerar a criação de um bloco de livre comércio com os Brics frente aos obstáculos nas negociações com a União Europeia (UE).
“O Brasil deve ser altivo nas negociações com a União Europeia e, ao mesmo tempo, reforçar os laços e as oportunidades comerciais com os países Brics. Eles são, atualmente, nossos maiores clientes e com grandes potenciais de aumento”, disse.
Na prática, tais países, especialmente a China, já respondem pela ampla maioria das exportações do agro brasileiro, muito acima da União Europeia.