“Se exagero da UE permanecer, teremos livre comércio com Brics”, diz Fávaro

    Diplomacia brasileira focará na criação de bloco com Rússia, Índia, China e África do Sul

    "Menos de 2% dos produtores rurais cometem crimes ambientais. A UE não pode criar leis unilaterais”, disse o ministro. (foto - Daniel Azevedo Duarte)

    "Menos de 2% dos produtores rurais cometem crimes ambientais. A UE não pode criar leis unilaterais”, disse o ministro. (foto - Daniel Azevedo Duarte)

    07deAgostode2023ás13:40

    O Brasil direcionará esforços para acelerar a criação de um bloco de livre comércio com os Brics frente aos obstáculos nas negociações com a União Europeia (UE).

    A afirmação é do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, na manhã de hoje, em São Paulo, durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio.

    “O Brasil deve ser altivo nas negociações com a União Europeia e, ao mesmo tempo, reforçar os laços e as oportunidades comerciais com os países Brics. Eles são, atualmente, nossos maiores clientes e com grandes potenciais de aumento”, disse.

    Fávaro criticou a nova legislação da União Europeia (chamada Green Deal, ou Acordo Verde) que proibirá, a partir de dezembro de 2024, a importação de produtos agropecuários oriundos de regiões desmatadas após 2018. Contudo, a lei aprovada no Parlamento Europeu não faz distinção entre desmatamento legal ou ilegal.

    “Não venham eles impor as regras já que temos uma das produções mais sustentáveis do mundo, em falar em nossa matriz energética. Menos de 2% dos produtores rurais cometem crimes ambientais. A UE não pode criar leis unilaterais”, resumiu.

    O ministro também reforçou a intenção de criar um grupo de livre comércio entre os Brics, sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul. Na prática, tais países, especialmente a China, já respondem pela ampla maioria das exportações do agro brasileiro, muito acima da União Europeia.

    “Se o exagero europeu permanecer, nós já teremos este novo bloco. Nossa produção é sustentável. As queimadas ou o agro não são os culpados pelo aquecimento global, mas sim a matriz energética também dos europeus, que queimam petróleo e carvão há mais de 100 anos”, apontou.

    UE não cita inclusão social

    Fávaro também citou o tema da inclusão social das 27 milhões de pessoas que vivem no bioma amazônico sobre as quais “não há nenhuma citação” no texto do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

    “Os moradores da Amazônia têm direito a se desenvolver também, de forma sustentável, e, por isso, é preciso entender e respeitar a soberania dos países. No nosso caso, temos o Código Florestal mais restritivo do mundo e não ganhamos nada por esses serviços ambientais que favorecem também os europeus”, lembra.

    Segundo o ministro, inclusive, o Código Florestal restritivo, que garante a preservação de 80% das áreas nativas dentro das fazendas no bioma amazônico, por exemplo, faz os europeus pensarem que isso “é de graça”.

    “Ninguém no mundo chega no Brasil e diz que quer pagar os serviços ambientais sobre esses 80% preservados dentro das propriedades. Hoje, 80% das emissões vem das matrizes energéticas por queima de petróleo e carvão”, completou.

    Brasil vai recuperar 40 milhões hectares de áreas degradadas em 10 anos

    Fávaro também firmou um prazo para a recuperação de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas ou, como ele prefere, “de baixa produtividade”.

    “Nossa meta é recuperar esses 40 milhões de hectares em 10 anos. Isso significa praticamente acrescer uma área produtiva dos últimos 50 anos. Ou seja, se temos um grão, teremos dois. Se temos um emprego, teremos dois, em médio prazo, com essa recuperação”, disse.

    Fávaro sustentou que, se pudesse deixar um legado ao setor, seria justamente ser lembrado como o ministro que “teve a coragem de dizer que é preciso preservar para garantir mercados”.

    “Acredito que terei feito minha contribuição, em um histórico de nomes como Alysson Paolinelli, Roberto Rodrigues, Teresa Cristina e outros, como um ministro da agricultura contemporâneo que modernizou, digitalizou e tornou ainda mais sustentável o agronegócio brasileiro”, finalizou.   

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