Defensivos modernos reduzem taxa de aplicação por hectare em 87,5%

    Avanços tecnológicos permitem mais resultados e menores riscos ambientais

    Por |
    Nanotecnologia em defensivos químicos já é realidade e poderá reduzir aplicação em até 80 vezes. (foto - ilustrativa)

    Nanotecnologia em defensivos químicos já é realidade e poderá reduzir aplicação em até 80 vezes. (foto - ilustrativa)

    04deSetembrode2023ás10:52

    A nova geração de defensivos químicos reduziu, em média, 87,5% a taxa média aplicada por hectare na agricultura brasileira nas últimas cinco décadas. Nos anos 1970, era preciso 1.200 gramas por hectare e, a partir dos anos 2000, esse número baixou para cerca de 150 gramas por hectare.

    A informação está em uma publicação da Croplife, a partir de dados de um levantamento de Ray Nashimoto.

    O documento explica que, com o passar dos anos, os defensivos agrícolas se tornaram menos tóxicos, menos persistentes no meio ambiente e são utilizados em quantidade cada vez menores, devido ao aumento de sua eficiência.

    Em termos mundiais, a taxa média de aplicação de fungicidas, inseticidas e herbicidas era respectivamente de 1.200, 1.700 e 2.300 gramas de ingrediente ativo por hectare na década de 1950. Em 2010, esses números caíram para 100, 40 e 75 gramas.

    Como estão sendo desenvolvidos os agrotóxicos modernos?

    Segundo o documento, a interação da química com os organismos alvo e não alvo vai muito além do olhar para as moléculas químicas. Genética, ecologia e química se integraram em grandes pesquisas na busca por produtos cada vez mais sustentáveis.

    Esse longo processo, envolve uma diversidade de estudos que vão desde as avaliações de eficácia agronômica da molécula e formulações, até detalhadas investigações de segurança à saúde humana e ao meio ambiente.

    Nos últimos anos, houve, uma maior demanda para a produção de alimentos de forma mais sustentável. Baixo uso de insumos, desperdício zero, agregação de valores sociais e minimização do impacto ambiental são premissas essenciais da produção de alimentos do mundo atual.

    O que é química verde?

    De tal forma, a “Química Verde” vem como uma nova forma de ser desenvolver os produtos, além de propor muitas alternativas mais seguras e sustentáveis.

    Sendo uma das suas principais metas, reduzir a poluição, minimizando ou eliminando os impactos do uso de matérias-primas, reagentes, solventes e qualquer produto químico no meio ambiente.

    Em princípio, o melhor conhecimento sobre os sítios de ação dos agrotóxicos (local onde efetivamente age a molécula) resultou no desenvolvimento de produtos mais específicos, seletivos e eficazes. Isso faz com que não se afete organismos não alvo, e que não causam danos às culturas.

    Em suma, a “química verde” aparece na agricultura pela introdução de tecnologias empregadas no desenvolvimento de insumos menos persistentes no ambiente e, consequentemente, de menor toxicidade. Assim como pela melhor utilização dos resíduos, transformando-os em matérias primas para novos processos.

    Nanotecnologia em defensivos agrícolas

    A nanotecnologia é um ramo da ciência que estuda e constrói materiais em uma escala muito pequena, a nanométrica (um milhão de vezes menor que um milímetro). Essas estruturas, que possuem dimensões de moléculas, são conhecidas como nanopartículas.

    Na agricultura, a nanotecnologia é bastante promissora, principalmente devido a sua característica de promover maior sustentabilidade no campo. Algumas das ferramentas desenvolvidas a partir dela, temos nanofertilizantes, nanoagrotóxicos e nanossensores.

    Nesse sentido, o desenvolvimento de nanoagrotóxicos, a partir de nanopartículas de óxidos metálicos, como cobre (Cu), zinco (Zn) e manganês (Mn), também usados como nutrientes pelas plantas, podem reduzir a infestação de pragas e atuar no metabolismo vegetal, resultando em um melhor desenvolvimento da planta.

    Nanopartículas de óxido de zinco (ZnO), por exemplo, além de evitar a proliferação desses microrganismos, utilizavam-nas em plantações de cenoura para controlar doenças causadas por fungos, bactérias e nematoides.

    O zinco nanoparticulado, além de ser um micronutriente para a planta, proporcionou aumento dos teores de clorofila e carotenoides das cenouras, favorecendo também o maior crescimento e peso das raízes.

    Como funciona a aprovação de defensivos agrícolas no Brasil?

    A regulamentação dos agrotóxicos no Brasil compreende um processo minucioso e que determina que cada produto atenda às exigências de análises técnicas, em diferentes ângulos de avaliação.

    A regulamentação é conduzida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA).

    Cada um desses órgãos realiza um determinado tipo de avaliação do produto, de modo independente do outro. Resumidamente, têm-se:

    • Testes agronômicos: Consistem na avaliação da eficiência do produto no controle de pragas ou plantas daninhas. Para isso, conduzem análises no campo, onde mensuram a sua eficiência.
    • Testes toxicológicos: Contemplam os diversos estudos em laboratório para medir o potencial tóxico do produto na saúde humana. São avaliações abordando aspectos que incluem: os efeitos de intoxicações aguda e crônica, o potencial cancerígeno e mutagênico e os impactos no sistema endócrino.
    • Testes ecotoxicológicos: Contemplam as avaliações dos possíveis impactos ambientais provocados pelo produto.
    • Caracterização físico-química: Reúnem os estudos para caracterizar o produto de forma detalhada como: tempo de permanência da substância no solo, solubilidade em água, entre outros.
    • Testes de metabolismo e degradação: Consistem nos estudos sobre o comportamento do produto na planta, depois de aplicado. Nessas avaliações se identifica o período de carência, que é o tempo entre a última aplicação do produto e a colheita.

    Temas nesta notícia