Agritechnica: oito tendências conceituais sobre maquinários agrícolas
Desde combustíveis alternativos até máquinas tudo-em-um ou com “olhos”, confira o que as fabricantes acreditam ser o futuro do setor

Tendências mapeadas na Agritechnica podem ser o padrão nas lavouras mundo afora no futuro, mas seu nível de adoção depende de dezenas de fatores. (foto - Agritechnica)
Além de apresentar a última palavra em maquinários agrícolas já disponíveis no mercado, a Agritechnica também resume as principais tendências conceituais desse setor para os próximos anos.
Em nossa cobertura presencial no maior evento de máquinas e implementos agrícolas do mundo, também pudemos identificar oito conceitos que, provavelmente, serão cada vez mais frequentes nas lavouras nos próximos anos.
Elas vão além da digitalização ou mesmo da robótica agrícola que, apesar de ainda muito atuais, já não são tendências, mas sim realidades disseminadas e com utilização em alta.
Confira as tedências dos maquinários agrícolas para o futuro:
- Combustíveis alternativos - Diversas empresas apresentaram ou destacaram seus modelos de maquinários com motorização e propulsão a partir de combustíveis alternativos durante a feira. Entre as modalidades, estavam motores movidos a biodiesel, etanol, elétricos, biogás, gás natural, hidrogênio e propano. Foi o caso, por exemplo, da New Holland com motores a biometano e da John Deere com seu motor movido a etanol. Contudo, até o momento, a aplicabilidade dessas alternativas está condicionada ao tipo de atividade agrícola, bem com a oferta dos diferentes tipos de combustível em cada região.

- Máquinas cada vez maiores – na operação agrícola, ao que tudo indica, tamanho é documento. Tanto é assim que a Agritechnica testemunhou o lançamento do maior trator do mundo, da maior colheitadeira do mundo, do maior distribuidor de sólidos do mundo, só para citar alguns. A demanda está longe de ser um fetiche, mas atende a necessidade de ganho de escala em grandes áreas agrícolas.

- Robôs agrícolas grandes – Se para as máquinas foi assim, os robôs estão seguindo o mesmo caminho. Entre os cerca de 20 tipos de robôs agrícolas apresentados na Agritechnica, foi possível observar a tendência ou ao menos a aparição de modelos maiores. Enquanto robôs pequenos podem realizar trabalhos em áreas mais restritas com culturas de alto valor agregado, eles são insuficientes para cobrir grandes extensões de lavouras de commodities, como grãos. Modelos como o Karl da Kuhn, o AgXeed e Combined Powers VTE mostraram essa aspiração.

- Maquinários "tudo-em-um" – As diferentes atividades em uma lavoura exigem diferentes tipos de maquinários ou implementos e, portanto, frotas diversificadas, não é mesmo? Bem, caso o conceito de veículos “tudo-em-um” demonstre todo seu potencial e resultados em um número maior de propriedades, o futuro pode não ser assim. Tais equipamentos já são realidade, com suas respectivas particularidades, no Nexat e o Gantry RO G 500 da Horsch, que poderia ser adaptado para tal.

- Maquinários esteirados – os maquinários esteirados apresentam vantagens como distribuição de peso, flutuação sobre terrenos úmidos, tração, estabilidade, manobrabilidade e menor compactação do solo pela melhor distribuição do peso e até mesmo maior durabilidade segundo especialistas. Por isso, dezenas de maquinários apresentavam esse recurso de tração esteirada na feira e para a "guerra" no campo.

- Controle mecânico de ervas daninhas – a busca por sustentabilidade motiva diversas empresas a desenvolver maquinários e implementos para controle mecânico de ervas daninhas em substituição aos defensivos químicos. Entre as opções, estão robôs, choques elétricos, robôs e braços mecânicos para limpar as áreas. As últimas versões desse tipo de equipamento contam com sensores e inteligência artificial capazes de diferenciar as culturas das pragas e, assim, garantir performance.

- Interoperabilidade de dados - A interoperabilidade pode parecer um termo técnico demais, mas é um dos passos mais importantes para o pleno potencial da agricultura 4.0, seja no campo ou na cidade. A palavra se refere justamente à capacidade de troca de dados e informações entre diferentes softwares e máquinas, permitindo que os aprendizados e aplicações sejam multiplicados exponencialmente. Na Agritechnica, algumas startups apresentaram soluções consolidadas nesse sentido.
- Visão computacional – Máquinas e implementos agrícolas poderão “enxergar” e extrair informação em tempo real de cada planta de uma lavoura. Equipamentos com "olhos" podem ser o futuro da atividade agrícola dada a possibilidade de elevar ainda mais a capacidade de acompanhar a performance das plantas cada vez mais de perto a fim de reduzir custos e aumentar a produtividade.
Todas estas tendências mapeadas podem fazer muita diferença nas lavouras mundo afora, mas seu nível de adoção depende de dezenas de fatores que vão desde a demonstração de resultados, as realidades locais, preços e convencimento aos produtores.
Se efetivamente serão o futuro da agricultura, só o futuro poderá mostrar...
