Agropecuária quadruplica produção, mas reduz emissão total de CO2 desde 1990
Segundo o SEEG, setor é o segundo maior emissor no país, atrás de mudanças no uso da terra e floresta

A agropecuária reduziu suas emissões totais de gases de efeito estufa em 2022 em relação a 1990 - 32 anos antes, apesar de ter aumentado a produção 468,3% no período.
Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), contudo, o setor é tido como o segundo maior emissor de CO₂ equivalente no país, atrás de mudanças no uso da terra e florestas e pouco acima do setor de energia.
O SEEG é uma iniciativa do Observatório do Clima que compreende a produção de estimativas anuais das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.
O setor de mudanças no uso da terra e florestas, apesar da redução ao longo dos anos, continua sendo o maior responsável, representando aproximadamente 39,8% das emissões totais do país.
A agropecuária contribui com 26,4% do total, enquanto o setor de energia responde por 23,5% das emissões. Já os processos industriais e os resíduos representam 5,2% e 5,1% das emissões totais, respectivamente.
| Categoria | 1990 | 2012 | 2022 |
| Agropecuária | 464.237.675 | 513.675.019 | 463.095.821 |
| Energia | 191.682.434 | 418.646.759 | 412.486.071 |
| Mudança de Uso da Terra e Floresta | 1.365.827.147 | 375.011.088 | 698.313.217 |
| Processos Industriais | 51.505.119 | 92.129.361 | 90.781.117 |
| Resíduos | 30.000.088 | 72.578.206 | 91.333.389 |
| Total | 2.103.252.463 | 1.472.040.432 | 1.756.009.616 |
Fonte SEEG - Balanço de emissões totais em toneladas CO2e considerando também as emissões e remoções
Agropecuária e as emissões
Em 1990, a agropecuária brasileira foi responsável pela emissão de 464,2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Já em 2022, as emissões caíram para 463,1 milhões de toneladas, uma redução modesta, mas significativa, considerando o crescimento expressivo da produção agropecuária no país.
Para se ter ideia, a produção de grãos saiu de 58,2 milhões de toneladas na temporada 1989-1990 para 272,6 milhões de toneladas na temporada 2021/2022. Esse cenário reflete os esforços do setor em adotar práticas mais sustentáveis e tecnologias que diminuem a pegada de carbono.
Especialistas ressaltam que, embora a agropecuária tenha conseguido reduzir suas emissões ao longo dos anos, ainda há muito a ser feito para torná-la mais sustentável.
A intensificação de práticas de baixa emissão, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), o plantio direto e a recuperação de pastagens degradadas, são apontadas como caminhos promissores para continuar diminuindo as emissões do setor.
Esses dados destacam a importância de ações direcionadas a cada setor para que o Brasil possa reduzir suas emissões de forma significativa.
Desmatamento
As mudanças no uso da terra e florestas, que englobam principalmente o desmatamento, ainda lideram as emissões no Brasil. Em 1990, essas emissões chegaram a 1,36 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente.
Em 2022, mesmo com os avanços em políticas de proteção ambiental, as emissões desse setor foram de 698,3 milhões de toneladas. Embora seja uma redução expressiva, o setor continua a ser o maior desafio para o país no que diz respeito ao controle das emissões.
Setor energético e indústria
O setor energético, que ocupa a terceira posição entre os maiores emissores, também apresentou variações ao longo das três décadas analisadas. Em 1990, as emissões de gases de efeito estufa do setor de energia foram de 191,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
Em 2022, esse número foi para 412,4 milhões de toneladas. O aumento reflete o crescimento da demanda energética no Brasil, impulsionada pelo desenvolvimento econômico e pelo aumento da população.
O setor de processos industriais também apresentou crescimento nas emissões, passando de 51,5 milhões de toneladas em 1990 para 90,7 milhões em 2022. Esse aumento se deve, em parte, à expansão industrial e à falta de políticas mais rigorosas de controle das emissões no setor.
A indústria brasileira, em sua maioria, ainda depende de processos que emitem grandes quantidades de gases de efeito estufa, apesar de algumas iniciativas de modernização e eficiência energética.
Os resíduos, que incluem emissões de aterros sanitários, esgoto e outras fontes, também registraram um aumento considerável.
Em 1990, as emissões desse setor eram de 30 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, enquanto em 2022 subiram para 91,3 milhões de toneladas.
Este aumento reflete o crescimento da população urbana e o consequente aumento na geração de resíduos, além da necessidade de melhorias no tratamento e na gestão desses resíduos.
Emissões totais no Brasil
O total das emissões brasileiras em 2022 foi de 1,75 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente, uma redução em comparação com 1990, quando o total era de 2,1 bilhões de toneladas.
Essa queda geral pode ser atribuída a diversas políticas públicas voltadas para a redução do desmatamento e a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, bem como a maior consciência ambiental nas indústrias e no setor energético.
