Corteva surpreende mercado com aumento de 77% no lucro líquido no 1º trimestre
Multinacional mantém projeções para 2025, apesar de não computar possíveis impactos da guerra tarifária
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A Corteva surpreendeu o mercado ao registrar um lucro líquido de US$ 667 milhões no primeiro trimestre de 2025, o que representa um salto expressivo de 77% frente aos US$ 376 milhões obtidos no mesmo período do ano passado.
O resultado foi divulgado ontem (dia 7), reforçando a perspectiva positiva da empresa para o ano em curso nos segmentos de sementes, defensivos e biológicos.
Desempenho das divisões
Apesar da receita líquida ter apresentado leve queda de 2%, totalizando US$ 4,42 bilhões, as vendas orgânicas avançaram 3%, indicando crescimento real na demanda por tecnologias agrícolas e lançamentos recentes de produtos.
A divisão de sementes obteve faturamento de US$ 2,71 bilhões, recuando 2%, enquanto o setor de proteção de cultivos registrou receita de US$ 1,71 bilhão, também com redução de 2% na comparação anual.
No entanto, o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) avançou 15%, alcançando US$ 1,19 bilhão no trimestre.
Segundo a Corteva, esse resultado positivo decorre de ganhos de produtividade, controle rigoroso de custos e uma melhora significativa no mix de produtos oferecidos.
Segmento em recuperação
O resultado por segmento detalha um cenário otimista.
A área de sementes registrou um Ebitda de US$ 842 milhões, alta significativa de 13%, enquanto o segmento de proteção de cultivos contribuiu com US$ 377 milhões, avanço de 22% sobre o ano anterior.
Embora reconheça um ambiente macroeconômico desafiador, a Corteva reafirmou suas projeções financeiras para 2025.
A companhia informou aos investidores que, embora ainda não tenha formalmente considerado possíveis impactos tarifários em suas previsões, não espera que essas políticas comerciais tenham efeitos substanciais nos resultados finais do ano.
Cenário global misto
Em análise sobre o mercado agrícola global, a Corteva apontou que, apesar de uma demanda robusta dos produtores por tecnologias inovadoras para aumento da produtividade, os estoques globais de milho permanecem nos menores níveis em mais de uma década.
Esse cenário ocorre mesmo após uma safra recorde registrada em 2024.
A empresa destacou que os preços e as margens das commodities agrícolas estão migrando para patamares mais moderados, influenciados por mudanças nas áreas plantadas e incertezas causadas por políticas comerciais protecionistas, especialmente por parte dos Estados Unidos.
Para o restante do ano, a expectativa da empresa é que o segmento de proteção de cultivos mantenha estabilidade, com incrementos em volume compensando eventuais desafios em preços.
A demanda global por grãos e oleaginosas deve permanecer constante, independentemente das flutuações comerciais.