"Brasil é altamente eficiente no uso de agroquímicos, apesar dos desafios", diz CropLife
País ocupa 41ª colocação mundial em uso de defensivos por hectare produzido
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A CropLife Brasil divulgou hoje (dia 16) uma nota de posicionamento em resposta ao estudo da Embrapa que apontou aumento no uso de herbicidas no Brasil entre 2010 e 2020.
A entidade, que representa o setor de tecnologias agrícolas, afirma que, apesar do crescimento, o país continua sendo altamente eficiente no uso de agroquímicos, ocupando a 41ª posição mundial em aplicação por hectare colhido.
O dado, segundo a entidade, é baseado em estatísticas da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e reflete a racionalidade no uso de defensivos mesmo em um cenário desafiador como o da agricultura tropical.
“Esse índice comprova que, mesmo sob condições climáticas adversas e alta pressão de pragas, o Brasil utiliza defensivos com eficiência técnica e responsabilidade”, diz a nota.
A CropLife atribui o aumento no uso de herbicidas a uma série de fatores estruturais, como a intensificação das lavouras tropicais, que produzem de duas a três safras por ano, e à expansão das áreas produtivas. Além disso, destaca a crescente resistência de plantas daninhas aos princípios ativos, o que exige novas estratégias de manejo.
A resistência das pragas é apontada como um dos principais gargalos da agricultura moderna. No caso do Brasil, as condições climáticas favorecem a rápida multiplicação e evolução das pragas, o que eleva a demanda por soluções químicas e biológicas mais eficazes.
“É um mecanismo natural de evolução das pragas, e enfrentá-lo requer diversificação dos mecanismos de ação, desenvolvimento de novas moléculas e práticas como o Manejo Integrado de Pragas (MIP)”, afirma a associação.
A nota ressalta que, mesmo com o crescimento no uso de herbicidas, há avanços importantes no campo, como a adoção de Boas Práticas Agrícolas (BPA), uso de produtos com melhor perfil ambiental e toxicológico, redução de doses e maior seletividade dos insumos utilizados.
A entidade aproveitou o posicionamento para reforçar a necessidade de modernizar os processos regulatórios no país. “É essencial dar celeridade à avaliação técnico-científica de novas moléculas, fundamentais para enfrentar a resistência crescente”, afirma.
Nesse contexto, a CropLife também reafirma seu compromisso com a ciência como base para decisões regulatórias e com a inovação responsável, buscando soluções sustentáveis para os desafios da produção de alimentos.
O posicionamento da entidade ocorre num momento de debates acirrados sobre o uso de defensivos no Brasil e de cobrança por mais transparência, rastreabilidade e rigor técnico na liberação de produtos agrícolas.
Confira a íntegra da nota divulgada pela CropLife Brasil:
"A CropLife Brasil entende o contexto trazido pelo estudo divulgado pela Embrapa apontando o aumento no uso de herbicidas no Brasil entre 2010 e 2020.
O crescimento reflete, sobretudo, o avanço da agricultura tropical, marcado pela alta pressão de plantas daninhas (e seu aumento da resistência aos herbicidas), maior produtividade (duas a três safras por ano) e expansão da área produtiva.
A resistência das pragas aos agroquímicos, sendo este um mecanismo natural de evolução das pragas, é um dos maiores desafios enfrentados pela agricultura moderna, especialmente em países de clima tropical como o Brasil.
As condições climáticas favorecem a proliferação e a rápida evolução das pragas, exigindo estratégias cada vez mais robustas de manejo.
A inovação no desenvolvimento de novas moléculas é essencial para diversificar os mecanismos de ação e retardar a evolução de resistência. A adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e a rotação de mecanismos de ação também são fundamentais para prolongar a vida útil das moléculas existentes e reduzir a pressão seletiva.
Apesar do estudo apontar aumento no uso de herbicidas, o Brasil permanece sendo altamente eficiente no uso racional e correto dos agroquímicos. O país ocupa a 41ª posição no ranking mundial de aplicação de defensivos em kg/hectare colhido (dados FAO Stat – ONU), demonstrando eficiência mesmo com as adversidades na produção agrícola em clima tropical.
Entre as atividades que contribuem para a redução do risco e uso racional de agrotóxicos, se destacam a adoção das Boas Práticas Agrícolas (BPA) no campo, além da descoberta de novas moléculas com melhor perfil ambiental e toxicológico, maior seletividade desses produtos, redução de doses, entre outras.
Esse cenário reforça a necessidade de acesso a tecnologias mais seguras e eficazes, e novos ingredientes ativos, com menor impacto.
A CropLife destaca a necessidade de priorizar e dar celeridade na avaliação técnico-científica de novas moléculas, fundamentais para enfrentar a resistência crescente de pragas. Para isso é fundamental que haja conscientização da importância dos órgãos reguladores na análise dessas tecnologias.
A associação reafirma seu compromisso com a ciência como base para decisões regulatórias, e reforça seu compromisso com a inovação responsável, a sustentabilidade e a segurança alimentar global."