A agricultura em ritmo de recorde de valorização no campo

Brasil se prepara para colher a maior safra de grãos em 2022

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A agricultura em ritmo de recorde de valorização no campo
24deJaneirode2022ás17:49

Na safra 1976/1977, o agro brasileiro colheu 46,9 milhões de toneladas. Nesta temporada, 45 anos depois, é esperada uma safra seis vezes maior, de 291,1 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Será a maior colheita de grãos já vista no país, caso a estimativa se confirmar de fato. O recorde até então é o do ciclo 2019/2020, que resultou em 257 milhões de toneladas.

Um dado como esse já é positivo por si só, mas o que o agricultor brasileiro tem ganhado cada vez mais não é somente em colheitas mais fartas no campo, e, sim, em remunerações mais significativas por produto colhido, mesmo com uma tendência de alta de custos da produção.

Um importante indicador que mostra como a produção brasileira está cada vez mais valorizada são os Índices de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPAs), elaborados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), de Piracicaba (SP), ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). Os IPPAs sintetizam diversas informações de preços de uma forma mais simples e facilitam a visualização das tendências e a análise dos mercados agropecuários no país.

Os dados estão em forma de porcentagens, com sua série iniciada em janeiro de 2001. Por exemplo, os grãos, que lá em 2001 estavam na base inicial 100 (ou 100%), ficaram em 712,8 em novembro de 2021 (o dado mais recente). Isso significa que os preços aumentaram um pouco mais de sete vezes ao longo de 20 anos (7,13 vezes, para ser mais preciso). A grande escalada da valorização começou em meados de maio de 2019 para cá.

Já as proteínas animais como carnes bovinas, suínas e de frango, ficaram com índice de 703,8 em novembro de 2021; e produtos de hortifrutigranjeiros, ficaram com índice de 590,7. A valorização foi de 7,04 vezes para as proteínas e 5,91 vezes para os hortifrutigranjeiros.

Competitividade brasileira

A alta demanda por alimentos foi o que motivou a pressão pela valorização de produtos. A tendência que o próprio índice mostra é de uma evolução constante, o que significa que a valorização das commodities agrícolas continuará crescente, trazendo incentivos e cada vez mais investimentos para a produção agrícola brasileira.

O país está no centro das atenções do mundo por sua tamanha competividade. Há terras e recursos suficientes para dobrar sua produção e com um item adicional importantíssimo: não precisa derrubar uma árvore sequer para aumentar a área cultivada. A conversão de áreas degradadas de pasto é o que torna isso possível e é o que elevará a produção nacional de grãos daqui para frente.

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