Gigante marroquina de fertilizantes fosfatados quer abrir unidade no Brasil

OCP detém 31% do comércio e 70% das reservas globais de fósforo

Por |
Gigante marroquina de fertilizantes fosfatados quer abrir unidade no Brasil
13deMaiode2022ás09:52

A Companhia Office Chérifien des Phosphates (OCP) pretende instalar uma unidade processadora de fósforo no Brasil nos próximos anos. A empresa estatal do Marrocos é a maior fornecedora de fosfato para fertilziantes no mercado brasileiro e também detentora de cerca de 70% das reservas mundiais do mineral. 

A informação foi confirmada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) após reunião, no último dia 10, entre integrantes da pasta, incluindo o ministro Marcos Montes, e o CEO da empresa, Mostafa Terrab.

A OCP, que tem 31% do mercado mundial de fosfatados, ajuda o Marrocos ocupar o posto de segundo maior produtor do mundo de fertilizantes fosfatados, respondendo por 17 % da produção global. Somente em 2021, o Brasil importou mais de US$ 1,6 bilhão em fertilizantes do Marrocos. 

Segundo o ministro Marcos Montes, a visão de futuro apresentada pela empresa encontra-se em total sinergia com as metas do Brasil para a sustentabilidade e segurança alimentar mundial. “Temos essa responsabilidade conjunta, tanto essa empresa, que é detentora maior reserva de fosfato do mundo, como o Brasil, que tem uma extensão de terra e tecnologia científica forte para produzir alimentos para o mundo”, disse. 

A ampliação dos negócios entre os dois países é parte do trabalho do Mapa para colocar em prática o Plano Nacional de Fertilizantes e encontrar saídas para a crise mundial de escassez do produto, agravada com o conflito Rússia e Ucrânia.

Parceria científica 

Durante visita ao Marrocos, a comitiva do Mapa debateu também sobre possível parceria entre a Embrapa e a Universidade Politécnica Mohammed VI (UM6P). O presidente da Embrapa, Celso Moretti, faz parte da comitiva. A ideia é que as duas entidades troquem estudos e conhecimento sobre as novas tecnologias agrícolas.

Rota Estratégica

A ida dos brasileiros ao Marrocos é parte de uma rota estratégica em busca de alternativas para garantir o fornecimento de fertilizantes ao País, em 2023. Antes do Marrocos, a equipe do Mapa passou por Jordânia e Egito.

Na Jordânia, o foco foi a produção de fertilizantes de potássio. Lá, após visita à fábrica da Arab Potash Company (APC), maior fornecedora mundial do produtos, ficou acordada maior produção para suprir o Brasil. O CEO da empresa, Maen Nsour, acredita que, em cinco anos, o fornecimento poderá ser 1,2 milhão de toneladas. 

Já o futuro do comércio de produtos agropecuários, de forma bilateral, foi o ponto forte do trabalho dos brasileiros no Egito. Em reunião com o vice-ministro da Agricultura do Egito, Moustafa El Sayeed, o ministro Marcos Montes destacou a boa relação entre os países e pediu apoio das autoridades egípcias na intermediação com o setor privado também em prol do aumento na produção de fornecimento de fertilizantes para o Brasil. 

 

Cargando...