Argentina enfrenta greve de caminhoneiros por falta de diesel

Paralização teve início hoje e produtores argentinos apoiam movimento

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Argentina enfrenta greve de caminhoneiros por falta de diesel
22deJunhode2022ás17:07

Ao mesmo tempo em que o Brasil debate os reajustes no preço do diesel (de 14,6%) e da gasolina (5,86%) anunciados pela Petrobras na última sexta (dia 17), uma greve de caminhoneiros começou a zero hora desta quarta (dia 22) na Argentina como protesto pela falta de combustíveis

Em nosso vizinho, inclusive, a Associação Argentina de Produtores Agropecuários emitiu um comunicado aderindo à paralização dos transportadores. A entidade destaca que o diesel, em especial, é um insumo fundamental para a produção no país.

"Aderimos à greve instaurada pelas transportadoras após a crise de acesso aos combustíveis, principalmente o diesel", diz a entidade, em nota. O texto completa que além da falta de disponibilidade, a situação se agrava com sobretaxas acima dos já estabelecidos aumentos de 20% no atacado de diesel que a agricultura utiliza. 

“Esta falta de disponibilidade de um insumo fundamental como o diesel é agravada pela impossibilidade de ter acesso a peças de reposição e pneus para veículos, tratores, colheitadeiras e máquinas agrícolas em geral”, argumenta a AAPA.

O presidente da Sociedade Rural, Nicolás Pino, também salientou que a Argentina não pode continuar sem diesel. “Compartilhamos a afirmação de que as transportadoras estão fazendo em diferentes áreas do país. O governo deve garantir o abastecimento de combustível para que os diferentes setores possam continuar trabalhando”, disse o líder rural.

Hoje, a Confederação de Hidrocarbonetos e Entidades Comerciais Afins da República Argentina (Cecha) disse acreditar que o fornecimento de diesel começará a se normalizar em 10 dias. Porém, reforçou que se trata de um “cálculo” e que a normalização depende das distribuidoras. 

Brasil em alerta

A situação na Argentina deixa o setor do agronegócio brasileiro também em alerta. No mês passado, após recomendação do conselho da Petrobrás de que o País deveria criar um plano de racionamento emergencial, prevendo a falta do combustível no segundo semestre, o Ministério da Economia emitiu comunicado no qual garantiu estar atento ao cenário internacional.

“Desde o início do conflito Rússia x Ucrânia, o governo brasileiro vem adotando medidas para o intensificar o monitoramento dos fluxos logísticos e da oferta de petróleo, gás natural e seus derivados, nos mercados doméstico e internacional”, dizia parte do comunicado.

Na última segunda, após novo reajuste nos valores do diesel e da gasolina, então presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, pediu seu desligamento do cargo. A alta no preço tem sofrido represálias, até mesmo do governo brasileiro, mais acionista da Estatal.

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