Novos aumentos nos preços dos combustíveis preocupam mercado

Gasolina está 5,18% mais cara, enquanto diesel subiu 14,26%: presidente brasileiro é contra aumento

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Novos aumentos nos preços dos combustíveis preocupam mercado
20deJunhode2022ás09:55

Após novos reajustes anunciados pela Petrobras, na última sexta-feira (dia 17), nos preços da gasolina e do diesel, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) emitiu no final de semana comunicado em que prevê "aumento imediato de no mínimo 5% nos preços dos fretes".

Com os novos valores dos combustíveis, já em vigor, o preço médio de venda de gasolina da Petrobras para as distribuidoras passou de R$ 3,86 para R$ 4,06 por litro, um aumento de 5,18%.

O impacto foi ainda maior no diesel, que já havia sido reajustado no último dia 10 de maio. Agora, com aumento de 14,26%, o preço médio de venda para as distribuidoras passou de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro.

O preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, não sofreu reajuste. 

Petrobras fala em "equilíbrio com mercado global"

Em nota emitida na sexta-feira, sobre aumentos, a Petrobras disse que a decisão considerou o “equilíbrio dos seus preços com o mercado global, mas sem repasse imediato para os preços internos da volatilidade das cotações internacionais e da taxa de câmbio”. 

"Esse posicionamento permitiu à Petrobras manter preços de GLP estáveis por até 152 dias; de diesel por até 84 dias; e de gasolina por até 99 dias. Esta prática não é comum a outros fornecedores que atuam no mercado brasileiro que ajustam seus preços com maior frequência, tampouco as maiores empresas internacionais que ajustam seus preços até diariamente".

Frete mais caro e sugestão de "renegociar contratos"

Em nota, a NTC&Logística, por meio de seu Departamento de Custos Operacionais (DECOPE), acusou a  Petrobras de realizar ajustes nos preços a qualquer momento, inclusive diariamente, o que desafia as empresas transportadoras quanto ao repasse para os clientes.

Segundo a empresa, no acumulado do ano, o setor teve “a expressiva variação média de 28,93% na bomba e nos últimos 12 meses (jun-21 contra jul-22) nada menos que uma magnitude média de 52,69%".

“Ainda considerando os últimos 12 meses, os insumos do transporte rodoviário de cargas, vem sofrendo grande pressão, os fornecedores das empresas de transporte, estão ajustando os seus custos de produção e, consequentemente repassando essas pressões para os transportadores”, diz o comunicado.

A entidade ainda diz considerar que reajustes nos fretes são "imprescindíveis" para “manter a contento a saúde financeira das empresas transportadoras” e sugere a inclusão de revisão mesmo em contratos antigos. 

Repercussão imediata

O novo reajuste nos preços gerou repercussão imediata das autoridades políticas brasileiras. O presidente Jair Bolsonaro, em post no  Twitter, criticou a Petrobras. 

"O Governo Federal como acionista é contra qualquer reajuste nos combustíveis, não só pelo exagerado lucro da Petrobras em plena crise mundial, bem como pelo interesse público previsto na Lei das Estatais", postou o presidente. 

Em seguida, lembrou da greve de caminhoneiros, em 2018, justamente em decorrência do preço dos combustíveis na ocasião. 

"A Petrobras pode mergulhar o Brasil num caos. Seus presidente, diretores e conselheiros bem sabem do que aconteceu com a greve dos caminhoneiros em 2018, e as consequências nefastas para a economia do Brasil e a vida do nosso povo".

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, pediu a renúncia imediata do presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho.

"Ele só representa a si mesmo e o que faz deixará um legado de destruição para a empresa, para o país e para o povo. Saia!!!", tuito Lira.

Vale lembrar que também na semana passada, a Câmara dos Deputados concluiu a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 18/2022, que limita em 17% a aplicação de alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis e energia. A medida, que ainda depende de sanção do presidente,  busca reduzir o preço dos combustíveis para o consumidor, adotando patamar máximo abaixo dos praticados pelos estados atualmente. Porém, os aumentos da Petrobras podem anular seus efeitos.  

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