CNA aponta alta no custo de produção de leite, milho, soja e aves

Projeto Campo do Futuro analisou orçamento de produtores na segunda quinzena de julho em quatro Estados

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Ataque severo de cigarrinha e alterações climáticas reduziram previsão na colheita de milho do MS, Crédito da imagem: Getty Imagens.

Ataque severo de cigarrinha e alterações climáticas reduziram previsão na colheita de milho do MS, Crédito da imagem: Getty Imagens.

18deJulhode2022ás11:28

Qual o custo atual de quem produz pecuária de leite, soja, milho e avicultura no Brasil? Para responder tal questionamento o Projeto Campo Futuro, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), realizou estudo, durante os dias 11 e 15, em quatro estados: Sergipe, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. 

O levantamento, realizado em parceria com as Federações de Agricultura, e apoio dos especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e do Labor Rural (Universidade Federal de Viçosa - UFV), analisou os custos de produção e apontou que, em alguns setores, a alta chega a 566%.

Uma das conclusões é a de que os gastos com alimentação continuam comprometendo a maior parte do orçamento dos produtores de leite.

Em Aracajú (SE), a alimentação concentrada comprometeu 33% do orçamento, seguida pelos gastos com silagem (8,8%) e pela mão de obra (8,6%).

A média foi obtida após análises em propriedades de 70 hectares com produção média de 700 litros/dia, obtida com a ordenha de 44 animais de linhagem meio sangue Girolando.

Segundo o assessor técnico da CNA, Guilherme Souza Dias, as depreciações e pró-labore da atividade também foram remunerados pelo leite. Contudo, não foi possível cobrir os custos totais.

“Mesmo assim, a remuneração por hectare obtida pelo leite, de R$ 2.083,13, se mostrou muito superior à atividade alternativa, caracterizada pelo arrendamento à cultura da cana-de-açúcar, a R$ 825/ha”, afirmou. 

Soja e milho

Os encontros analisaram os custos na produção de grãos em Mato Grosso e revelaram um aumento de até 60% na compra de sementes de soja, além de alta entre 60% e 71% com fertilizantes para soja e milho, respectivamente.

Ainda de acordo com o estudo, os desembolsos com herbicidas cresceram 264% no período. Ataques pontuais com percevejo e cigarrinha-do-milho foram relatados, assim como ocorrências nas plantações de soja da anomalia das vagens, fenômeno ainda com causas desconhecidas.

“Por outro lado, o milho 2ª safra, que está em fase final de colheita, apresenta boas produtividades com a expectativa de colheita de 110 sacas por hectare em média”, pondera o assessor técnico da Confederação Nacional da Agricultura, Tiago Pereira.

O estudo, entretanto, revela que altas foram ainda mais expressivas no Mato Grosso do Sul, onde os gastos com tratamento de sementes de soja subiram 204% e 566% com fertilizantes foliares.

No estado, o cenário ainda apontou também queda na expectativa da colheita do milho de 120 para 80 sacas/ha, como consequência do ataque severo de cigarrinha, da ocorrência de geadas e devido ao clima seco.

“As intervenções para o controle da cigarrinha-do-milho aumentaram os gastos com defensivos em 40% em comparação com o ciclo anterior. Os desembolsos com fertilizantes subiram 68% no período do levantamento”, apontou o estudo.

Avicultura de corte

Para levantar os custos de produção e resultados econômicos da avicultura de corte, a CNA analisou uma propriedade modal em sistema de integração de Uberlândia (MG). O alojamento com 38.610 frangos de corte em dois galpões, apontou que os gastos com mão de obra e a energia representaram em torno de 50% do custo total.

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