Preços de fertilizantes tendem a cair, diz Faesp

Entidade vê “queda gradual” nos valores, após expresssivas altas no primeiro semestre de 2022

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Preços de fertilizantes tendem a cair, diz Faesp
22deJulhode2022ás10:05

O preço dos fertilizantes, em expressiva alta desde o início da guerra na Ucrânia, deve cair no segundo semestre, de acordo com avaliação da Federação de Agricultura e Pecuária de São Paulo. 

Para a entidade, a expectativa é de que os preços iniciem um ciclo de queda gradual, uma vez que o mercado mundial tem conseguido abastecer a demanda.

“Alguns fertilizantes tiveram uma discreta redução no preço”, diz Claudio Brisolara, chefe do Departamento Econômico da FAESP, para quem houve uma melhora recente no cenário nacional.

 “Como o volume de importação (do Brasil) ficou acima do ano passado, no mesmo período, creio que os preços deverão ceder mais”, completa.

A Faesp baseia-se em dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério da Economia, que revelam o aumento de 14% na importação dos insumos pelo Brasil, no primeiro semestre de 2022.

Na ocasião, o Brasil importou 17,8 milhões de toneladas. A alta ocorre na comparação com o mesmo período de 2021. 

Sinal de alerta, entretanto, deve ser mantido

Ainda segundo a Faesp, mesmo diante da possibilidade da normalização do fornecimento, os produtores devem permanecer em alerta e preparados para soluções alternativas.

Uma das estratégias sugeridas é otimizar o uso de fertilizantes na lavoura por meio da agricultura de precisão e da aplicação racional dos insumos.

As Comissões Técnicas da FAESP consultadas reforçam a preocupação do setor agropecuário paulista com relação às safras 2022/2023.

O argumento é que não há, no momento, total segurança sobre o fornecimento do insumo e queda no preço.

Os produtores ainda estão receosos com a manutenção dos estoques de passagem em níveis satisfatórios ao longo do segundo semestre.

Margem de lucro caiu muito

A Faesp lembra que, mesmo com o Brasil ampliando a importação de fertilizantes no primeiro semestre,  o aumento dos adubos e fertilizantes derrubou a margem de lucro de muitos produtores, especialmente dos menores. 

Segundo Ademar Pereira, presidente da Câmara Setorial do Café e coordenador adjunto da Comissão de Cafeicultura da FAESP, a majoração dos valores gerou distorções no preço final do pó de café nas prateleiras.

Para ele, o cenário deu “a impressão” ao consumidor de que os cafeicultores estivessem lucrando mais, o que não foi verdade, uma vez que “a margem de lucro caiu muito”.

Ele ainda reconhece que o valor dos fertilizantes teve leve redução nos últimos dias, mas segue muito superior ao do começo do ano passado. “Está muito preocupante, muito fora dos preços de antes dessa escalada em um curto espaço de tempo”, relata.

Farsul divulga Índice de Inflação de Junho 

Nesta quinta-feira (dia 21), a Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) confirmou a primeira retração, dos últimos três meses, no Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP, de 1,19%, em junho.

De acordo com relatório da entidade, o Índice de Inflação dos Preços recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) também teve redução, de 1,5%, no período.

O preço dos fertilizantes, em queda, foi apontado como principal fator no resultado nos custos de produção.

Em 12 meses, o IICP acumula alta de 40,68%. Como comparação, no acumulado de 2021, atingiu inflação de 9,08%.

No caso do IIPR, os preços da soja e milho foram os principais motivos para a baixa do indicador. Em 12 meses, o IIPR aponta uma alta de 13,60%.

Ou seja: apesar do resultado positivo para a receita dos produtores, os custos crescem em velocidade mais acelerada, estreitando as margens de lucro da atividade.

O relatório na íntegra está disponível no site da Farsul.

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