MapBiomas: área queimada em 2022 já é maior que Alagoas
Amazônia e Pampa lideram o ranking 2022 de regiões mais afetadas, diz MapBiomas
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Pastagens representam 14% das áreas afetadas pelo fogo dentre as regiões de uso do agro. (Foto: Freepik)
Amazônia e Pampa lideram o ranking 2022 de áreas afetadas pelo fogo, de acordo a nova versão do Monitor do Fogo, plataforma ligada à Rede MapBiomas, que faz uso de imagens de satélites para monitorar as mudanças no território brasileiro.
Segundo a ferramenta, lançada nesta quinta (dia 18), as queimadas cresceram 3.372% no Pampa somente nos sete primeiros meses do ano e atingiram uma área de 27.780 hectares.
Na Amazônia, o aumento registrado neste ano, na comparação com 2021, já é de 7% - cerca de 107 mil hectares.
No total, dados do MapBiomas mostram que 2.932.972 hectares foram consumidos por queimadas em todo o Brasil até o mês passado. A área, que embora seja maior que o estado de Alagoas, por exemplo, é 2% menor do que a que foi consumida pelo fogo em 2021.
“O Monitor do fogo é uma iniciativa de rede que reúne universidades, empresas de tecnologias e ONGs (Organizações não-governamentais) com objetivo de compreender as mudanças no uso o território brasileiro para gerar melhor a gestão dos recursos naturais e maneiras de mitigar emissão de gases do efeito estufa”, explicou Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas.
Azevedo falou durante lançamento da nova versão do Monitor do Fogo, em evento ao vivo transmitido pelo canal do MapBiomas no Youtube.
Na ocasião, além de apresentar dados parciais, foi comemorado o uso das imagens do satélite europeu Sentinel 2, o que aumentará a observação e permitirá que os dados sejam divulgados mensalmente.
“Este produto é o único nessa frequência e resolução a fornecer esses dados mensalmente, o que facilitará muito a prevenção e combate aos incêndios, indicando áreas onde o fogo tem se adensado”, destacou Ane Alencar, coordenadora do Monitor do Fogo do MapBiomas.
“Além do poder público, é uma ferramenta de grande utilidade para a iniciativa privada, como o setor de seguros, por exemplo”, completa.
Vegetação nativa
Os dados dos sete primeiros meses de 2022 mostram que três em cada quatro hectares queimados foram de vegetação nativa, sendo a maioria em campos naturais.
Porém um quinto de tudo que foi queimado no período foi em florestas.
Já o Mato Grosso foi o estado que mais queimou nos sete primeiros meses de 2022 (771.827 hectares), seguido por Tocantins (593.888 hectares) e Roraima (529.404 hectares).
Esses três estados representaram 64% da área queimada afetada no período.
No Cerrado, a área queimada entre janeiro e julho de 2022 (1.250.373 hectares) foi 9% menor que no mesmo período do ano passado, porém 5% acima do registrado em 2019 e 39% maior que em 2020.
O mesmo padrão foi identificado na Mata Atlântica, onde houve uma queda de 16% em relação a 2021 (ou 14.281 hectares), porém um crescimento de 11% em relação a 2019 e 8% na comparação com 2020.
O Pantanal, por sua vez, apresentou a menor área queimada nos últimos quatro anos (75.999 hectares), com 19% de redução de 2022 para 2021 em relação a área queimada de janeiro a julho.
Dentro os tipos de uso agropecuário das áreas afetadas pelo fogo, as pastagens se destacaram com 14% da área queimada nos sete primeiros meses de 2022.