China visa reduzir importação de alimentos até 2031

    Relatório da CNA leva em conta planos do governo chinês para aumentar produção doméstica

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    Gigante asiático deve reduzir importações de alimentos para 126 milhões de toneladas até 2031. (foto - arquivo)

    Gigante asiático deve reduzir importações de alimentos para 126 milhões de toneladas até 2031. (foto - arquivo)

    21deSetembrode2022ás11:50

    A China, principal cliente do Brasil em diversos produtos agropecuários, deverá reduzir o volume de importações até 2031 como parte do plano do governo central para elevar seu nível de autossuficiência em diversos itens.

    O número consta do Sumário Executivo China Agricultural Outlook 2022-2031, divulgado pela Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), a partir a 9ª edição da Conferência sobre as Perspectivas Agrícolas do país que ocorreu em Pequim em abril deste ano.

    Em números, o gigante asiático deve reduzir suas importações de alimentos para algo em torno de 126 milhões de toneladas até 2031, apesar do aumento populacional e de renda esperado para o período.

    Segundo o documento, nos próximos dez anos, o fornecimento de grãos e outros produtos agrícolas estratégicos será garantido e contará com o suporte contínuo em políticas de incentivo.

    Isso significa manutenção da área cultivada, superior a 116,67 milhões de hectares, e aumento da qualidade e competitividade da agricultura chinesa. Espera-se, ainda, um aumento significativo na demanda por pescados e carne bovina.

    O levantamento resume que o comércio de produtos agrícolas continuará bastante ativo, com variações significativas nos volumes de importação e exportação.

    Confira a análise por alguns dos principais produtos.

    • Milho - Embora a demanda de milho para ração animal esteja em queda, a demanda para consumo industrial permanece crescendo, o que deve garantir a demanda pelo produto. Estima-se que a produção de milho alcance 323,93 milhões de toneladas em 2031, com uma taxa média de crescimento anual de 2%. O consumo deve atingir 328,21 milhões de toneladas, um aumento médio anual de 1,5%. As importações devem encontrar um ponto de equilíbrio após um declínio no médio prazo, estabilizando-se em 7,57 milhões de toneladas em 2031.
    • Soja - A produção e o consumo de soja na China continuarão crescendo, enquanto as importações devem cair de forma constante. Considerando um aumento da produtividade e da área cultivada, a produção de soja no país atingirá 27,19 milhões de toneladas em 2026 e 35,07 milhões de toneladas em 2031. Em termos de consumo, estima-se um aumento constante na próxima década, alcançando 118,53 milhões de toneladas em 2031. As importações de soja são previstas para 90,82 milhões de toneladas em 2026 e 85,84 milhões de toneladas em 2031. 
    • Outras oleaginosas - A expansão da produção de grãos e sementes oleaginosas será o foco da produção agrícola da China, com crescimento anual de 1,4% na área cultivada. O consumo de sementes oleaginosas comestíveis deverá atingir 180 milhões de toneladas em 2031, com crescimento anual de 1,0%, enquanto o consumo de óleos vegetais comestíveis atingirá 38,01 milhões de toneladas, com crescimento anual de 0,6%. 
    • Trigo - A área semeada de trigo deve se estabilizar em torno de 23,3 milhões de hectares. Com o aumento da produtividade, a produção deve atingir 144,71 milhões de toneladas em 2031. O consumo de ração de trigo voltará a cair, abrindo mais espaço para o crescimento do consumo industrial. A China ainda importará algum trigo especial para suprir necessidades de diferentes espécies, mas a demanda pelo produto importado cairá. As importações devem cair 27,6% até 2031, chegando a apenas 5,22 milhões de toneladas devido ao aumento da produção do cereal na China. 
    • Algodão - Espera-se um aumento gradual na produção de algodão, com uma alta no consumo no curto prazo. Há uma tendência de queda nas importações. Em 2031, a área cultivada atingirá 3,20 milhões de hectares e a produção, 5,96 milhões de toneladas. 
    • Açúcar - A área destinada ao cultivo de açúcar permanecerá estável, enquanto a produção doméstica deve atingir 10,5 milhões de toneladas em 2026 e 10,93 milhões de toneladas em 2031. O consumo de açúcar deve ser de 15,91 milhões de toneladas em 2026 e 16,28 milhões de toneladas em 2031.
    • Legumes - A produção de legumes não deve aumentar de maneira expressiva, mas devem ser observados incrementos na qualidade. A produção deverá atingir 774 milhões de toneladas em 2026 e 792 milhões de toneladas em 2031, com crescimento anual de 0,7%. 
    • Batatas - A área de cultivo de batata deve atingir 88,04 milhões de 5,70 milhões de hectares em 2031, um aumento de 5,4%, com crescimento anual de 0,5%. A produção atingirá 121,71 milhões de toneladas, um aumento de 19,8%, com crescimento anual de 1,8%. 
    • Frutas - Estima-se uma desaceleração no crescimento da produção de frutas na China, atingindo 346 milhões de toneladas até 2031, com crescimento anual de 2%, contra uma taxa média anual de crescimento de 2,9% na última década. O consumo de frutas continuará a crescer, atingindo 167 milhões de toneladas em 2031, uma taxa média anual de crescimento de 2,1%. 
    • Carne suína - Espera-se que o número de suínos abatidos e a produção de carne suína aumentem em média 1,9% e 2,1%, respectivamente. O número de abates deve se aproximar de 700 milhões e a produção de carne deve atingir 55,91 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve chegar a 56,99 milhões de toneladas em 2031. Espera-se que as importações de carne suína se estabilizem por volta de 2 milhões de toneladas no curto e médio prazos e caiam gradualmente para 1,5 milhão de toneladas nos anos posteriores. 
    • Carne de aves - É esperado que a produção cresça a um ritmo mais acelerado, atingindo 25,29 milhões de toneladas em 2026, com crescimento anual de 1,7% e 26,34 milhões de toneladas em 2031, com crescimento anual de 1,2%. O consumo deve aumentar, atingindo 25,48 milhões de toneladas em 2026, um incremento de 6,0%, e 26,39 milhões de toneladas em 2031, um incremento de 9,8%.
    • Carne bovina e ovina - A produção de carne bovina e ovina deverá crescer de maneira constante. Em 2031, a produção de carne bovina atingirá 7,72 milhões de toneladas e a produção de carne ovina 5,71 milhões de toneladas, com taxas médias de crescimento anual de 1,0% e 1,1%, respectivamente. O consumo de carne bovina na China deve atingir 10,56 milhões de toneladas enquanto o de carne ovina deve chegar a 6,17 milhões de toneladas, um crescimento anual de 1,3% e 1,1%, respectivamente. 
    • Ovos - Nos próximos dez anos, a produção de ovos manterá a tendência de crescimento atingindo 36,39 milhões de toneladas em 2031, um aumento de 7,2% em comparação com 2021. As exportações de ovos deverão atingir 120 mil toneladas em 2031, um aumento de 17,9% em comparação com 2021, enquanto as importações diminuirão para 20 toneladas até 2031.
    • Lácteos - O consumo de lácteos deve crescer de maneira constante, atingindo 77,44 milhões de toneladas de leite em 2026, um aumento de 42,9%, e 89,57 milhões de toneladas em 2031, um aumento de 65,3%. O consumo per capita deve chegar a 63,2 kg com aumento significativo no consumo de lácteos secos, como queijos. Espera-se que as importações de produtos lácteos continuem a aumentar para 30,99 milhões de toneladas em 2026, 63,3% maior em relação a 2021, e 35,86 milhões de toneladas em 2031. 
    • Pescados - Espera-se que a piscicultura da China cresça de forma constante, com a produção de pescados atingindo 69,61 milhões em 2026 e 71,27 milhões de toneladas em 2031, um crescimento anual de 0,8%. Estima-se que as importações de pescados do país mantenham um rápido crescimento, atingindo 6,9 milhões de toneladas em 2026, 16,9% maior em relação a 2021, e 7,61 milhões de toneladas em 2031.
    • Rações - A produção integrada de rações aumentará gradualmente, com a produção total de rações industriais atingindo 336 milhões de toneladas em 2026 e 366 milhões de toneladas em 2031, representando um crescimento anual de 2,2%. O consumo de ração industrial deverá atingir 336 milhões de toneladas em 2026 e 366 milhões de toneladas em 2031, um aumento de 41,6% em comparação com 2021.

     

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