Entidades do agro comentam vitória de Lula e bloqueios em estradas
FPA fez apelo por liberação das rodovias contra impacto aos consumidores brasileiros
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Manifestações ocorrem em todo o País. (foto - PRF da Bahia)
Diante das centenas de paralisações em rodovias organizadas por apoiadores de Jair Bolsonaro - contra a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito domingo para presidir o País a partir de 2023 -, entidades do agro tem se manifestado sobre os resultados nas urnas.
A Frente Parlamentar da Agropecuária, formada por senadores e deputados da chamada bancada do agro, por exemplo, disse, em nota publicada ontem à noite (dia) que “respeita o direito constitucional à manifestação”, porém reconhece temer impactos na cadeia produtiva.
“O caminho das paralisações de nossas rodovias impacta diretamente os consumidores brasileiros, no possível desabastecimento e em toda a cadeia produtiva rural do País.
Fazemos um apelo para que as rodovias sejam liberadas para cargas vivas, ração, ambulâncias e outros produtos de primeira necessidade e/ou perecíveis.”
Hoje pela manhã, a Confederação Nacional do Transporte (CNT), entidade de representação das empresas de transporte no Brasil, divulgou comunicado no qual se posicionou contra “esse tipo de intervenção”.
A entidade disse respeitar o direito de manifestação de todo cidadão, porém, defende que ele seja exercido sem prejudicar o direito de ir e vir das pessoas.
Já a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), em nota enviada à imprensa, optou por cumprimentar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pedir para que a substituição do combustível fóssil por renovável seja uma prioridade do futuro governo.
A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) disse, também em nota, ter a expectativa de que o "governo democrático" eleito leve à pacificação do País e que à uma política econômica em prol do crescimento equilibrado dos diferentes setores.
O mesmo tom foi adotado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que posicionou-se como quem acredita que "liberdade e a democracia são os fatores essenciais para o desenvolvimento da produção rural".
A entidade disse também hoje ter recebido com naturalidade o resultado das eleições presidenciais e que está pronta para o diálogo e a cooperação com o governo eleito, escolhido pela maioria do povo brasileiro."
Para que a produção rural possa continuar sendo a segurança do abastecimento de alimentos para o mercado interno e a principal fonte das nossas exportações, precisamos que o Governo do país, acima de tudo, proporcione segurança jurídica para o produtor, defendendo-o das invasões de terra, da taxação confiscatória ou desestabilizadora ou dos excessos da regulação estatal", escreveu.
Faesp diz "democracia acima de tudo"
Ainda no final de domingo, quando confirmado o resultado do pleito, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo – que havia declarado seu apoio ao atual presidente Jair Bolsonaro – emitiu um comunicado.
Nele, assegurou que respeitava a democracia “acima de tudo” e justificou: “Afinal, o voto depositado é um voto de confiança, que nos é um sentimento inegociável”.
“Com relação à eleição do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, esperamos o respeito e o diálogo em prol do desenvolvimento do País que o setor do agronegócio tanto preza e merece”, dizia parte do texto.
A entidade disse ainda ter a expectativa de que o novo governo continue realizando ações contínuas e “um trabalho permanente pela prosperidade dos produtores rurais, responsáveis pela geração de emprego e renda”.
E lembrou que o agronegócio nacional representa hoje 27% do Produto Interno Bruto (PIB), com uma população ocupada de 18,74 milhões de pessoas.
Na tarde de hoje (dia 1º), a entidade emitiu novo comunicado, assinado pelo presidente Fábio Meirelles, no qual diz estar monitorando o movimento dos caminhoneiros e possíveis prejuízos à cadeia produtiva da agropecuária.
"O acesso dificultado em vias essenciais pode prejudicar a entrega de produtos perecíveis, colocando em risco a a distribuição de gêneros alimentícios e as atividades econômicas.
A Faesp respeita o direito constitucional de manifestação, mas entende que as ações devem ser pacíficas, de modo a não prejudicar o direito de ir e vir da população e o agronegócio brasileiro e paulista".