Cotação do trigo soma 2,43% de baixa em novembro
Mesmo com quebra na Argentina, fatores baixistas prevalecem
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Liquidez está maior no Rio Grande do Sul, que vem ofertando um trigo de melhor qualidade nesta temporada. (foto - Daniel Azevedo)
O Acordo de Grãos no Mar Negro, o avanço da colheita na região Sul e o lockdown na China têm mantido uma pressão baixista no mercado do trigo, apesar da grande quebra de safra na Argentina, principal fornecedora do Brasil.
A colheita do cereal no Brasil continua avançando e já ultrapassa os 70% da área destinada ao cereal, com destaque para o Paraná, um dos principais estados produtores, e onde os trabalhos de campo estão na reta final.
Pesquisadores do Cepea ressaltam, contudo, que as divergências entre a qualidade do trigo dos estados do Sul disponibilizados no spot vêm resultando em queda nos valores ao produtor e em alta no mercado atacadista.
No geral, a liquidez está maior no Rio Grande do Sul, que vem ofertando um trigo de melhor qualidade nesta temporada. Colaboradores do Cepea também informaram que está chegando trigo do Paraguai no Paraná.
Neste cenário, somados ao aumento da oferta internacional, a cotação do trigo soma 2,43% de baixa em novembro no mercado interno, apesar da quebra da produção na Argentina.
Os preços do cereal, que chegaram a atingir o recorde histórico de R$ 2,2 mil em julho, foram negociados a R$ 1.804,48 ontem (dia 28). Confira a evolução da cotação do trigo nos últimos meses.
Mercado internacional para o trigo
Os contratos do trigo operam com preços mais altos nas negociações da sessão eletrônica da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) na manhã de hoje.
O mercado busca uma recuperação após atingir o pior patamar em mais de três meses. De qualquer forma, o aumento da oferta na região do Mar Negro limita o ímpeto comprador.
Os contratos com vencimento em março de 2023 operam cotados a US$ 7,84 por bushel, ganho de 3,25 centavos de dólar por bushel ou 0,41% em relação ao fechamento anterior.
Ontem, o mercado foi pressionado pela preocupação com o impacto de protestos na China contra sua rígida política anti-covid. Manifestantes e policiais entraram em confronto em Xangai na noite de domingo. Também houve protestos em Wuhan, Chengdu e partes da capital Pequim no final do domingo.
O trigo atingiu o nível mais baixo em mais de três meses, com oferta barata da Rússia e de outras partes do Mar Negro, adicionando concorrência ao cereal dos Estados Unidos. Sinais de fraca demanda pelo grão dos EUA completam o quadro baixista.
No fechamento, os contratos com entrega em dezembro de 2022 eram cotados a US$ 7,56 por bushel, baixa de 18,75 centavos de dólar, ou 2,41%, em relação ao fechamento anterior. Os contratos com entrega em março de 2023 eram negociados a US$ 7,80 3/4, recuo de 16,25 centavos de dólar, ou 2,03%, em relação ao fechamento anterior.