Produtor ucraniano conta como foi ocupação russa em sua fazenda
Depois de oito meses, propriedade foi liberada pelo Exército da Ucrânia há uma semana
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Propriedade tem cerca de mil hectares dedicados a grãos e leite e ficou ocupada por russos durante oito meses. (Foto - Andriy Pastushenko)
Andriy Pastushenko, pecuarista de leite, está aliviado depois de oito meses de ocupação do Exército Russo em sua propriedade na região de Kherson, no sudoeste da Ucrânia.
Na última sexta-feira (dia 11), as forças ucranianas conseguiram expulsar os invasores e, assim, liberar os cerca de mil hectares da propriedade, que mantém 400 vacas leiteiras, 400 bezerros e cerca de 500 hectares de grãos.
O alívio, contudo, não apaga o período em que não sabia o que poderia ocorrer, não apenas com sua propriedade e animais, mas, principalmente, com os trabalhadores da fazenda.
Os ataques começaram a aproximar-se da propriedade poucas semanas depois do início da guerra. Os bombardeios e os mísseis chegaram a atingir suas lavouras.

Alguns projéteis deixaram grandes buracos no chão e outros estão cravados até hoje em campos de trigo, após haver sido cortado o fornecimento de energia elétrica, gás, internet e praticamente todos os serviços básicos.
Os russos ocuparam a região, de fato, em março e 30 soldados inimigos ficaram permanentemente na sua propriedade, convivendo lado a lado com os trabalhadores durante cinco dias.
“Eles vinham de regiões da islâmicas da Rússia e, assim, o entendimento ficava ainda mais difícil. Os soldados foram violentos muitas vezes e, inclusive, molestavam as funcionárias. Eles ficavam bêbados e violentos até que foram levados por um oficial russo”, conta.
Felizmente, ninguém sofreu ferimentos graves ou foi morto no local. Depois disso, as forças invasoras fizeram uma base tática a poucos metros de sede da fazenda.
Ainda assim, as atividades não foram paralisadas, mesmo com a presença dos russos. Contudo, a interrupção de fornecimento de diversos insumos, como soja, medicamentos, micronutrientes e outros, a produção diária caiu 70%.
“Antes da ocupação, produzíamos cerca de 10 toneladas de leite por dia e, com todas as dificuldades, passou a 3 toneladas. Conseguimos manter parte da produção porque tínhamos insumos próprios estocados, como milho e silagem”, explica.

A reduzida produção também não podia ser comercializada normalmente. Assim, Andriy mobilizou alguns voluntários para levar o leite e os laticínios produzidos na fazenda a hospitais, igrejas e vender/doar diretamente aos moradores da região.
“Nossa intenção era ajudar aos demais. Doamos toneladas de produtos e depois pudemos passar a vender novamente. Os funcionários da fazenda e os voluntários foram verdadeiros heróis durante todo este período. Não havia sequer energia ou aquecimento para tomarem banho quente”, detalha.
Exército ucraniano libera a fazenda
A situação, contudo, começou a mudar nas últimas semanas. As forças da Ucrânia passaram a ganhar terreno ocupado pelos russos em diversas regiões do país até que, na última sexta-feira, a fazenda de Andriy foi liberada.

“Estou realmente muito feliz. O Exército da Ucrânia é feito de gigantes, verdadeiros Titãs, e heróis. Ainda não temos gás, eletricidade ou internet, mas estamos livres! Espero que na próxima semana, eu possa estar lá”, confessa.
Segundo o produtor, as informações indicam que tais serviços podem começar a ser reestabelecidos nos próximos dias e a produção da fazenda já começou se normalizar.