Produtor ucraniano conta como foi ocupação russa em sua fazenda

    Depois de oito meses, propriedade foi liberada pelo Exército da Ucrânia há uma semana

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    Propriedade tem cerca de mil hectares dedicados a grãos e leite e ficou ocupada por russos durante oito meses. (Foto - Andriy Pastushenko)

    Propriedade tem cerca de mil hectares dedicados a grãos e leite e ficou ocupada por russos durante oito meses. (Foto - Andriy Pastushenko)

    17deNovembrode2022ás12:57

    Andriy Pastushenko, pecuarista de leite, está aliviado depois de oito meses de ocupação do Exército Russo em sua propriedade na região de Kherson, no sudoeste da Ucrânia.

    Na última sexta-feira (dia 11), as forças ucranianas conseguiram expulsar os invasores e, assim, liberar os cerca de mil hectares da propriedade, que mantém 400 vacas leiteiras, 400 bezerros e cerca de 500 hectares de grãos.

    O alívio, contudo, não apaga o período em que não sabia o que poderia ocorrer, não apenas com sua propriedade e animais, mas, principalmente, com os trabalhadores da fazenda.

    Os ataques começaram a aproximar-se da propriedade poucas semanas depois do início da guerra. Os bombardeios e os mísseis chegaram a atingir suas lavouras.

    Alguns projéteis deixaram grandes buracos no chão e outros estão cravados até hoje em campos de trigo, após haver sido cortado o fornecimento de energia elétrica, gás, internet e praticamente todos os serviços básicos.  

    Os russos ocuparam a região, de fato, em março e 30 soldados inimigos ficaram permanentemente na sua propriedade, convivendo lado a lado com os trabalhadores durante cinco dias.

    “Eles vinham de regiões da islâmicas da Rússia e, assim, o entendimento ficava ainda mais difícil. Os soldados foram violentos muitas vezes e, inclusive, molestavam as funcionárias. Eles ficavam bêbados e violentos até que foram levados por um oficial russo”, conta.

    Felizmente, ninguém sofreu ferimentos graves ou foi morto no local. Depois disso, as forças invasoras fizeram uma base tática a poucos metros de sede da fazenda.

    Ainda assim, as atividades não foram paralisadas, mesmo com a presença dos russos. Contudo, a interrupção de fornecimento de diversos insumos, como soja, medicamentos, micronutrientes e outros, a produção diária caiu 70%. 

    “Antes da ocupação, produzíamos cerca de 10 toneladas de leite por dia e, com todas as dificuldades, passou a 3 toneladas. Conseguimos manter parte da produção porque tínhamos insumos próprios estocados, como milho e silagem”, explica.

    A reduzida produção também não podia ser comercializada normalmente. Assim, Andriy mobilizou alguns voluntários para levar o leite e os laticínios produzidos na fazenda a hospitais, igrejas e vender/doar diretamente aos moradores da região.

    “Nossa intenção era ajudar aos demais. Doamos toneladas de produtos e depois pudemos passar a vender novamente. Os funcionários da fazenda e os voluntários foram verdadeiros heróis durante todo este período. Não havia sequer energia ou aquecimento para tomarem banho quente”, detalha.

    Exército ucraniano libera a fazenda

    A situação, contudo, começou a mudar nas últimas semanas. As forças da Ucrânia passaram a ganhar terreno ocupado pelos russos em diversas regiões do país até que, na última sexta-feira, a fazenda de Andriy foi liberada.

    “Estou realmente muito feliz. O Exército da Ucrânia é feito de gigantes, verdadeiros Titãs, e heróis. Ainda não temos gás, eletricidade ou internet, mas estamos livres! Espero que na próxima semana, eu possa estar lá”, confessa.

    Segundo o produtor, as informações indicam que tais serviços podem começar a ser reestabelecidos nos próximos dias e a produção da fazenda já começou se normalizar. 

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