União Europeia retira exigência para importar o amendoim brasileiro
Medida deve impulsionar vendas para países do bloco
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Exportação cresceu 11% em volume em 2022. São Paulo é maior produtor do Brasil. (foto - Mapa)
A União Europeia informou ao Brasil, na última sexta-feira (dia 27), a retirada da exigência da certificação oficial para exportadores brasileiros, o que deve facilitar as vendas para países do bloco europeu.
Também foi anunciada a diminuição do índice de controle do amendoim brasileiro, após análises que mostraram maior conformidade do produto em relação a prevenção das contaminações com aflatoxinas (substâncias nocivas produzidas por fungos).
A decisão foi tomada após testes, que demonstram que os controles efetuados pelos exportadores brasileiros e auditados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) garantem a qualidade e segurança do produto.
“Essa medida representa maior agilidade nos procedimentos de exportação e valoriza o produto brasileiro no mercado internacional”, destaca o auditor fiscal federal agropecuário Hugo Caruso.
Mercado europeu
Somente no ano de 2022, o Brasil exportou cerca de 285 mil toneladas de amendoim, crescimento de 11% com relação a 2021, no valor aproximado de US$ 332 milhões. Destas, 70 mil toneladas foram destinadas à União Europeia.
Ainda segundo Caruso, a melhoria dos controles dos produtos exportados refletiu também nos produtos comercializados internamente que além de ser consumido in natura, é matéria prima para doces, bolos, sorvetes, entre outros.
“A grande preocupação em relação à segurança do produto está relacionada com as aflatoxinas que são produzidas por fungos. Essas toxinas além de serem cancerígenas podem provocar outros malefícios à saúde”, alerta o auditor.

São Paulo é maior produtor
Balanço divulgado também na última sexta, pelo Instituto de Economia Agrícola, da Secretaria de Agricultura de São Paulo, aponta que mercado externo constitui importante estrutura de comercialização da produção brasileira de amendoim, concentrada no estado (origem de 99% dos embarques).
A análise da pesquisadora Renata Martins Sampaio relava que as exportações de amendoim em grão, em 2022, tiveram como destino mais 90 países.
Nesse conjunto, entretanto, 12 destinos representaram 85% do total do volume exportado, como segue: Rússia, Argélia, Países Baixos (Holanda), Reino Unido, Espanha, Polônia, Colômbia, Turquia, Ucrânia, África do Sul, Austrália e Emirados Árabes Unidos.
A Rússia, principal destino, respondeu por 34% do total (98 mil toneladas), representando US$109 milhões e, quando comparado a 2021, indicou recuo de 5% nos volumes e de 16% nos valores, mantendo sua posição, ocupada desde 2016, de principal importador do amendoim paulista e brasileiro.
A Argélia foi o segundo principal destino, com 14% do total dos volumes exportados, seguida da Holanda com 8%, compondo, assim, os três principais destinos que, juntos, responderam por 56% do total.
O artigo do IEA aborda também os destinos do óleo de amendoim e mostram um mercado em ascensão. China e Itália respondem praticamente por 100% das exportações brasileiras.
No caso da China, as exportaçãoes avançam desde 2020 e, em 2022, somaram 114 mil toneladas, número que é 124% superior ao ano anterior. Em valores foram de US$207 milhões, 130% superiores aos registados em 2021.