Brasil pode superar Estados Unidos como maior exportador mundial de milho até 2026
Pesquisadora da Universidade de Illinois indica que fatores como clima, área e acordo com a China apontam para liderança brasileira
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“O Brasil pode superar os EUA nas exportações de milho em algum momento entre 2024 e 2026”, diz Joana Colussi, pesquisadora da Universidade de Illinois.
O roteiro seguido pelo Brasil com a soja, de ampliar a produção e tornar-se o maior exportador global, pode repetir-se com o milho em curto prazo. É o que aponta a pesquisadora Joana Colussi, integrante da equipe Farm Doc, da Universidade de Illinois.
Segundo ela, espera-se que a competição nos mercados mundiais se intensifique e o Brasil, já na safra 2022/2023, pode produzir 12% mais milho em relação ao ano anterior.
“A situação climática até agora tem sido favorável para a maioria das regiões. Houve uma seca moderada a severa no Sul, mas as expectativas até agora são de bons rendimentos”, disse Colussi no Illinois Farm Economics Summit em Peoria.
Em 2022, o Brasil exportou uma quantidade recorde de milho, 44 milhões de toneladas, e essas vendas podem aumentar para 50 milhões de toneladas. “A China assinou um acordo com o Brasil para importar milho. Esses embarques começaram em novembro”, lembra Joana.
Mas, se o ritmo de produção e exportação de milho continuar crescendo, será que o Brasil poderia ultrapassar os EUA como o maior exportador mundial? Colussi acredita que é possível.
“O Brasil pode superar os EUA nas exportações de milho em algum momento entre 2024 e 2026”, disse ela. "Veremos. Há muitos fatores em jogo”, disse ela.
Contudo, a característica brasileira de realizar duas ou até três safras em uma mesma área ao ano, além da nova fronteira agrícola em Matopiba, indicam que, ao menos potencialmente, o Brasil poderia sim superar os Estados Unidos nas exportações de milho, como já o faz com a soja.
Temporada atual
A previsão de novembro do USDA fixou as exportações agrícolas totais dos Estados Unidos em US$ 190 bilhões para o ano fiscal de 2023, uma queda de US$ 3,5 bilhões em relação à estimativa de agosto.
Enquanto isso, as importações agrícolas dos EUA devem crescer para US$ 199 bilhões este ano, impulsionadas por maiores importações de produtos hortícolas, açúcar, produtos tropicais e grãos e rações.
“Um dólar forte, embora contrário à previsão de exportação, é parcialmente responsável pela maior demanda de importação”, observou o USDA.
No entanto, pode haver uma abertura para os EUA exportarem mais milho nos próximos meses, antes que o Brasil colha seu milho de segunda safra. Não é o caso da soja, porém, já que o grão brasileiro deve começar a chegar ao mercado no próximo mês.
Em outros lugares, as perspectivas da safra na Argentina não são tão otimistas. Com 85% de milho e 90% de soja plantados em 5 de janeiro, a maioria dos grãos (70%) foi plantada fora do período para maximizar a produtividade devido a atrasos no plantio devido ao clima.
“As condições de seca dificultaram o plantio precoce”, disse Colussi. “É o terceiro ano consecutivo de La Nina, o que costuma gerar um verão mais quente e seco na Argentina.”
E o período de agosto a dezembro nos últimos três anos foi o mais seco em mais de 30 anos. A produção agrícola, como consequência, deve cair 45% para o trigo e 15% para o milho na Argentina em 2022-23.
As últimas estimativas do USDA divulgadas em 12 de janeiro apontavam a safra de soja argentina em 45,5 milhões de toneladas, 4 milhões abaixo da estimativa anterior, enquanto a safra de soja brasileira aumentou um milhão para 153 milhões de toneladas.