Quebra no cultivo de milho das cooperativas do Rio Grande do Sul chega a 53% com estiagem

    FecoAgro e Fetag pedem auxílios financeiros dos governos estaduais e federais

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    Rio Grande do Sul enfrenta estiagem pelo terceiro ano consecutivo. (foto - Fecoagro-RS)

    Rio Grande do Sul enfrenta estiagem pelo terceiro ano consecutivo. (foto - Fecoagro-RS)

    01deFevereirode2023ás11:38

    Balanço elaborado pela Rede Técnica Cooperativa (RTC/CCGL) aponta perdas na agropecuária gaúcha, que vive o terceiro ano consecutivo de estiagem. 

    Após pesquisa com 21 cooperativas do Rio Grande do Sul, estima-se uma quebra no cultivo de milho sequeiro de até 53%, até a semana passada (dia 25).

    Na soja, onde o desenvolvimento da cultura não está mais tardio, as perdas já chegam a 16%, na média ponderada.

    Porém, o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, considera que a maior diferença da estiagem deste ano, na comparação com a de 2021, está na ‘concentração dos danos’.

    Ele explica como exemplo o fato de que existem locais no Estado onde as perdas na soja são de mais de 40% e outras onde não há registro de danos. "Isso é uma questão muito séria e traz à tona outro ponto que é o das chuvas mal distribuídas, e essa situação agrava as nossas lavouras", observa.

    Pires destaca também que existem perdas no arroz irrigado, onde as águas nunca estiveram tão baixas, consequência de três anos de estiagem. "Com o arroz a irrigação por inundação vem sofrendo com isto. E no milho, em muitas regiões o grão irrigado por aspersão tem problemas de água também", salienta.

    O dirigente reforça ainda que a pecuária de leite é afetada através da alimentação dos animais. "Onde não choveu existe uma escassez muito grande de forragem para os animais. A pecuária de corte também sofre porque existem campos na região sul que não têm mais água. As sangas, os pequenos açudes secaram", frisa. 

    Comissão da Seca

    A FecoAgro/RS vem debatendo o problema diretamente com o governo do Estado, tendo criado uma Comissão da Seca, para monitorar os danos e a situação dos cooperados.

    Entre os pedidos ao governador Eduardo Leite está a necessidade de priorizar a irrigação. "Esta é uma briga tão forte nossa e tão antiga, que não vai resolver o problema da estiagem do Rio Grande do Sul, mas vai mitigar as perdas dos nossos produtores", avalia. 

    Fetag elenca prioridades

    Também a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) vem acompanhando de perto os danos causados pela estiagem.

    Na última sexta-feira (dia 27), a entidade participou de reunião com o Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Luiz Paulo Teixeira Ferreira, com o objetivo de amenizar os danos irreversíveis causados nas propriedades gaúchas.

    A Federação afirma que os danos são variáveis de região para região, visto que as chuvas são esparsas, não sendo possível calcular o percentual comum para o estado, mas reforça já ter registrado perdas de 100% em lavouras de milho grão e silagem.

    Neste cenário, a Fetag-RS solicita ao governo federal a aprovação de recursos para equalizar a prorrogação das operações de Pronaf Custeio e de Pronaf investimento, vencidas e vincendas no período de 01 de janeiro a 31 de julho de 2023.

    Também foi pedido rebate de 35% sobre a parcela vencida ou vincenda aos agricultores que irão liquidar dentro do cronograma de reembolso no período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2023.

    E a criação de uma linha de crédito emergencial, com teto de financiamento de até R$50 mil por mutuário, prazo de reembolso de até 10 anos e bônus de adimplência de 30% para a reestruturação produtiva das propriedades.

    O ministro ressaltou que o tema está sendo discutido no governo entre os Ministérios do Desenvolvimento Social, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e Casa Civil e que deve o Governo deve se pronunciar nos próximos dias.

     “São três anos de perdas, três anos consecutivos que a agricultura sofre os impactos da estiagem. Além de medidas emergenciais, é urgente que o governo federal e estadual executem políticas públicas para mitigar os efeitos e preparar as propriedades para estes estados de calamidade” destaca  presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva.

     

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