Foliões “devem” o Carnaval triplamente à agricultura

    Festa remonta homenagem a Saturno, deus romano da agricultura, bem como depende de alimentação, bebidas, emprego e renda

    Só entre as escolas, Unidos da Tijuca, Vila Isabel, Paraíso do Tuiti, Beija Flor, Mancha Verde, X-9, Dragões da Real e tantas outras já fizeram reverências elogiosas ao campo

    Só entre as escolas, Unidos da Tijuca, Vila Isabel, Paraíso do Tuiti, Beija Flor, Mancha Verde, X-9, Dragões da Real e tantas outras já fizeram reverências elogiosas ao campo

    17deFevereirode2023ás18:12

    Como a própria civilização e muitas outras tradições ancestrais, o Carnaval também deve sua origem à agricultura. Estas festividades entre diversos povos serviam para comemorar a aproximação da primavera e pedir a divindades pagãs por boas colheitas.

    Com a consolidação do Império Romano, as celebrações ganharam o nome de Saturnais, em homenagem a Saturno, deus da agricultura, pelo mesmo motivo: conseguir proteção mística para grandes safras.

    Apenas depois, quando a Igreja Católica passou a ter mais influência entre na cidade eterna que veio o nome carnem levare ou carnelevarium, que significa “retirar ou ficar livre da carne”. Para Carnaval, foi um pulo.

    Na época dessa celebração, as escolas fechavam, os escravos eram soltos e os romanos dançavam pelas ruas. Assim, apesar do carnaval ser quase um sinônimo de Brasil, a festa também ocorre em muitos países de tradição católica como Itália, Espanha, Portugal e França para marcar o início da Quaresma, 40 dias até a Páscoa.

    Pois bem. Apesar de o Carnaval ter sua própria origem no agro, profissionais da festa mais popular do país motivaram polêmicas com o setor. Foi o caso de uma escola de samba do Rio de Janeiro que condenou o setor em enredo em edição recente do Carnaval.

    Mas o agro e o Carnaval são bem maiores e outas tantas homenagens e referências à importância e ao orgulho da produção no campo acumulam-se em passarelas, salões e avenidas Brasil afora. Só entre as escolas Vila Isabel, Paraíso do Tuiti, Beija Flor, Mancha Verde, X-9, Dragões da Real e tantas outras já fizeram reverências elogiosas ao campo.

    A Unidos da Tijuca, em 2016, por exemplo, conquistou o vice-campeonato na primeira divisão do Rio de Janeiro. O enredo “Semeando Sorriso, a Tijuca festeja o solo sagrado”, uma homenagem à cidade de Sorriso, no Mato Grosso, conhecida como capital da soja, abordou da criação do homem através do barro ao desenvolvimento da agricultura.e vida no campo.

    Não é para menos.

    Enquanto os sonoros festejos atraem milhões de foliões nas cidades, as fazendas de todos os rincões do país seguem em sua rotina de produzir, por exemplo, ingredientes para a cerveja, entre os mais de 200 produtos cultivados comercialmente no Brasil.

    Para os que pretendem saborear bebida neste feriado (com moderação!), vale lembrar da cevada, produzida por um agricultor, que cultivou a semente, manejou a planta, protegeu contra pragas e doenças e garantiu a sanidade e a qualidade do produto final.

    Um hectare de cevada produz cerca de três toneladas de grãos. Na indústria, esses grãos produzem 2.100 kg de malte, que geram 18.600 litros de bebida. Ou seja, um hectare de cevada produz 50 mil latinhas de cerveja, sem falar no lúpulo e das leveduras.

    Mas não é só isso. Os produtores seguem trabalhando nesta época do ano para colher a safra de verão de vários outros itens como soja, milho, feijão, arroz, amendoim e girassol, além de frutas legumes e verduras. Tudo isso também servirá para alimentar foliões ou não foliões, bem com para gerar emprego e renda.

    Não quero ser sisudo, mas, não haveria Carnaval sem o agro, talvez, triplamente...

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