Cosan admite conversas para vender novos ativos, como a Moove
Companhia publicou esclarecimento na CVM após reportagem revelar interesse da Vibra na aquisição da gigante de lubrificantes

A Cosan confirmou nesta quinta-feira (18/7) que tem mantido conversas com agentes do mercado sobre a possível venda de ativos, incluindo a Moove, empresa de lubrificantes que controla desde 2008.
O posicionamento oficial foi publicado por meio de fato relevante após reportagem do Brazil Journal revelar que a Vibra Energia iniciou tratativas com a companhia para uma eventual aquisição da Moove.
Segundo o comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Cosan informou que, “em linha com sua estratégia de criação de valor e avaliação contínua de oportunidades, tem sido abordada por diversos agentes do mercado sobre possíveis alternativas envolvendo seus ativos”.
Nesta semana, por exemplo, a Raízen - outra controlada da Cosan - vendeu áreas da icônica Fazenda Santa Elisa para a concorrente São Martinho.
A companhia ressaltou, no entanto, que “não há qualquer acordo, compromisso ou documento celebrado”, e que todas as conversas não são vinculantes.
A manifestação pública responde à publicação feita mais cedo pelo Brazil Journal, que revelou o interesse da Vibra Energia em adquirir 100% da Moove.
Fontes ouvidas pela reportagem de Pedro Arbex afirmam que as conversas vêm ocorrendo há meses, em meio à tentativa da CVC Capital Partners — que detém 30% da Moove — de vender sua participação no negócio.
A CVC estaria buscando sair do investimento desde o fracasso da tentativa de IPO da Moove no ano passado. Na ocasião, os controladores chegaram a lançar a oferta pública na Bolsa de Nova York, mirando um múltiplo de 7x EV/EBITDA, o que implicaria uma avaliação de cerca de R$ 10 bilhões.
A Moove é uma das maiores fabricantes e distribuidoras de lubrificantes da América Latina e detém exclusividade da marca Mobil no Brasil.
Com operações no Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa, a empresa fornece produtos para os setores automotivo e industrial. Segundo informações da própria companhia, quase metade de sua receita hoje é gerada em moeda forte.
A Cosan comprou a Moove em 2008, no mesmo pacote da rede de postos Esso, e desde então vem consolidando sua presença no setor de lubrificantes.
No entanto, o grupo vem reavaliando seu portfólio, buscando alternativas para reduzir sua alavancagem — movimento que também motivou a tentativa de abertura de capital da Moove.
Ainda de acordo com o Brazil Journal, a Vibra estaria sendo assessorada pelo Citi nas negociações, enquanto a Cosan trabalha com o Bank of America e o JP Morgan. A CVC, por sua vez, contratou a Lazard para auxiliar na possível venda de sua fatia.
Embora o interesse da Vibra envolva a aquisição total da Moove, fontes próximas à Cosan indicam que Rubens Ometto, controlador da empresa, não estaria disposto a vender o controle da operação.
A Cosan concluiu seu comunicado afirmando que quaisquer desdobramentos relevantes serão divulgados ao mercado de forma tempestiva, conforme determina a regulamentação vigente.
