Poder público recorre a drones para fiscalizar e também conter gripe aviária
Enquanto Mapa inicia em março capacitação de auditores fiscais para operar equipamentos, governo do RS usa drones para monitorar influenza
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Área de LPMA, que poderá ser observada com drone pela fiscalização. (foto - Lucas Zago/divulgação Mapa)
Enquanto o Ministério da Agricultura e Pecuária divulgou nesta segunda (dia 27) que iniciará em março uma capacitação de montagem e uso de drones para 100 auditores fiscais de todo o País, o Rio Grande do Sul disse fazer uso dos equipamentos para monitorar possível entrada da gripe aviária no Estado.
No caso do Mapa, o objetivo é fazer uso da tecnologia em ações de fiscalização de lavouras.
“Os drones são versáteis e cada dia mais surgem novas aptidões. No campo da fiscalização, por exemplo, podem otimizar as atividades, auxiliando os fiscais na apuração de ilícitos”, explica Uéllen Lisoski Duarte Colatto, chefe de Divisão de Aviação Agrícola do Mapa.
Segundo a pasta, a ideia do curso “Operação de drones para fiscalização no âmbito da Defesa Agropecuária” surgiu justamente de um grupo de trabalho criado pela Divisão de Defesa Agropecuária de São Paulo (DDA-SP).
O objetivo é discutir como os drones podem ser aplicados na modernização das ações de fiscalização.
Também partiu de São Paulo a ideia da capacitação, após a Superintendência de Agricultura e Pecuária de São Paulo (SFA-SP) receber sete drones e câmeras de alta resolução apreendidos pela Receita Federal.
Uso mais eficiente
De acordo com Uéllen, além de aprender a manusear, fazer ajustes e realizar a manutenção básica, o curso vai incluir o conhecimento sobre as regras para utilização dos equipamentos e dos softwares de imageamento.
“Esse conteúdo vai propiciar o uso mais eficiente da ferramenta em diversas áreas de atuação da defesa agropecuária”, afirmou.
Esse grupo entende que a tecnologia poderá auxiliar nas verificações do uso de fertilizantes (inspeção de plantas industriais, amostragem de fertilizantes a granel); agrotóxicos (auxílio nas buscas por agrotóxicos ilegais); e de sementes e mudas (fiscalização em campos de sementes, localização de áreas de plantios e de viveiros).
Na área animal, os drones poderão ser um aliado nos levantamentos de rebanhos, identificação de locais com rebanhos, por exemplo.
“Até na fiscalização de produtos orgânicos a tecnologia poderá ser útil, apoiando a inspeção em propriedades, em levantamentos de insumos proibidos e auditoria em propriedades certificadas”, prevê o Mapa.
Treinamento adequado
Vale lembrar que, por se tratar de uma aeronave, o uso de drone está sob o arcabouço do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil Especial 94, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Por este motivo, é necessário treinamento adequado para que sua utilização seja proveitosa e produtiva para o serviço da Defesa Agropecuária. “Não há, no âmbito da SFA-SP, nenhum servidor qualificado a operar um drone ou capacitado a utilizar softwares de edição de foto e vídeo necessários para a atividade.”
Os recursos para custear a entidade de ensino são do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).
Gripe Aviária
Os drones são parte da estratégia do Rio Grande do Sul para monitorar possíveis focos de gripe aviária no estado – que, assim como o Brasil, segue livre da doença.
Na semana passada, a Divisão de Defesa Sanitária Animal (DDSA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul reafirmou trabalhar de forma permanente para evitar a entrada da doença no estado.
Especialmente após casos em países vizinhos como Argentina e Uruguai. “Nós estamos reforçando as medidas de prevenção junto à cadeia avícola e incrementando mecanismos de detecção precoce, no atendimento de notificações de casos suspeitos em aves domésticas e silvestres”, destaca Rosane Colares, diretora do DDSA.
Atendendo ao Plano Nacional de Vigilância de Influenza Aviária e Doença de Newcastle, o Serviço Veterinário Oficial (SVO-RS) está realizando uma amostragem de vigilância ativa de aves de subsistência em propriedades localizadas em áreas de maior risco está sendo realizada.
Os drones estão auxiliando nas fiscalizações, fazendo o monitoramento de aves de vida livre – migratórias e residentes.

Fiscalização inclui propriedades próximas a sítios de aves migratórias. (foto - seapi-RS)