Setor de café eleva receita 54,6% em 2022, apesar de queda no consumo

    Aumentos superiores a 100% no preço explicam menor demanda

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    Além de maior produtor, Brasil mantém a posição de segundo maior consumidor de café do mundo. (foto - divulgação)

    Além de maior produtor, Brasil mantém a posição de segundo maior consumidor de café do mundo. (foto - divulgação)

    03deMarçode2023ás13:08

    A indústria brasileira de café elevou em 54,6% o faturamento (R$ 23,5 bilhões) em 2022, apesar de uma leve queda no consumo, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).

    No ano safra, entre novembro de 2021 e outubro de 2022, foram consumidas foram consumidas 21,3 milhões de sacas de café entre novembro de 2021 e outubro de 2022. A leve queda contrasta com o aumento de 13% desde 2008.

    Este volume representa 41,8% da safra de 2022, que foi de 50,9 milhões de sacas, segundo a Conab. No período anterior, o volume representou 45,3% da safra, que foi de 47,7 milhões de sacas.

    Os dados reafirmam o papel do café como um alimento importante para os brasileiros e revelam que, apesar da crise econômica vivida em 2021 pela pandemia, com recuperação em 2022, o consumo de café seguiu seu ritmo: mesmo com a leve queda.

    O Brasil mantém a posição de segundo maior consumidor de café do mundo. A diferença para o primeiro lugar, ocupado pelos Estados Unidos, é de 4,7 milhões de sacas.

    Quando analisado o consumo per capita, observa-se que, em 2022, ele foi de 5,96 kg por ano de café cru e 4,77 kg por ano de café torrado, um pouco abaixo do ano anterior (4,84kg/ano/hab.), devido ao crescimento da população.

    Atualmente, as indústrias associadas da ABIC respondem por 71,1% da produção do café torrado em grão e/ou moído, e representam 86,1% de participação (share) no varejo supermercadista.

    Valorização do café

    O aumento do faturamento explica-se pela valorização da cotação do café como matéria-prima, mais de 120%, que impactou fortemente no custo da indústria e ocasionando o repasse ao varejo de parte deste aumento.

    Em relação ao abastecimento, durante o ano de 2022, a oferta de cafés Canéforas (robusta e conilon) se manteve normal, entretanto, a oferta de cafés arábicas ficou abaixo da normalidade, indicando suprimento irregular e seletivo para as indústrias de todos os portes.

    Para que o café chegue à mesa dos brasileiros, o grão passa por variadas etapas e são muitos os fatores que impactam no preço final do produto encontrado na gôndola, tais como: o câmbio, os custos dos insumos, logística, volume da safra além de fatores socioeconômicos.

    Segundo estudo realizado pela ABIC no ponto de venda, em 2022, a média nacional do reajuste de preço do café foi de 35,4%, consequência do repasse do aumento da matéria-prima que vem desde 2021.

    Estima-se que a leve queda de consumo possa ter sido influenciada pelo aumento do preço nas prateleiras e a diminuição do poder aquisitivo.

    As vendas de café aumentam nos meses de inverno e retraem nos períodos mais quentes ocorrendo menores volumes de vendas.

    Comparando o preço da matéria-prima, o preço do café no varejo e o volume de vendas, observou-se que a matéria-prima aumentou até 137% até janeiro de 2022, enquanto o reajuste do café torrado e/ou moído foi mais lento, e somente no segundo semestre de 2022 atingiu o patamar de 100%.

    A ABIC monitora as vendas no varejo, através de mais de 1 milhão de notas fiscais coletadas mensalmente em check outs de todo o Brasil, com o sistema da Horus.

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