Nas estradas do Brasil, mulheres conduzem a safra do Grupo Bom Jesus
Motoristas operam caminhões bitrens de até 75 toneladas na logística que conecta fazendas, armazéns e destinos da produção agrícola da empresa
Por |
Quinze motoristas carreteiras conduzem parte da safra do Grupo Bom Jesus pelas estradas do Centro-Oeste e do Matopiba.
Na semana do Dia Internacional da Mulher, motoristas da empresa relatam a rotina ao volante de caminhões bitrens de nove eixos — os chamados “bitrenzões” — capazes de transportar até 75 toneladas de carga total entre áreas de produção, armazéns e destinos finais da produção agrícola.
Para algumas delas, assumir o volante de um caminhão sempre foi um objetivo profissional.
Roseli dos Santos lembra exatamente o dia em que iniciou sua trajetória como motorista carreteira na Bom Jesus Agropecuária: 18 de outubro de 2024. Antes disso, atuou em serviços gerais e depois trabalhou por um ano no transporte coletivo de Rondonópolis (MT), até chegar à boleia dos caminhões de carga.
“Essa profissão sempre foi meu objetivo, desde jovem. Aos poucos, realizei meu sonho”, conta Roseli.
>> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP
>> ENCONTRE PRODUTOS E SOLUÇÕES PARA O AGRO NO AGROFY MARKET
Segundo ela, os desafios aparecem principalmente quando surgem rotas inéditas. Ainda assim, é justamente a diversidade de trajetos que mantém a motivação.
“É aquela sensação de aprendizado. É saber que cada viagem é diferente e traz algo novo”, explica.

Em outros casos, a estrada já fazia parte da trajetória antes mesmo da chegada ao grupo. Jenyffer Silva Breem acumulava experiência como motorista quando decidiu se candidatar à empresa. Sua rotina começa cedo, muitas vezes antes do amanhecer, com a revisão do caminhão e o planejamento do trajeto.
Ela afirma que nunca viu o gênero como limitador profissional, mas reconhece que as estradas ainda carregam muitas vezes preconceito. Algo que, segundo ela, não chega a afetá-la.
“Sempre tive comigo que o que um pode fazer, o outro também pode, independentemente de ser homem ou mulher”, reitera Jenyffer, há seis anos na empresa.
Entre as motoristas, Sueli Ribeiro é a que acumula mais tempo de estrada dentro da companhia. Ela trabalha na Bom Jesus Agropecuária desde 2014 e destaca o papel essencial do transporte rodoviário para o abastecimento do país.
Ela faz questão de ressaltar que o transporte é atividade essencial à cadeia produtiva e parte estruturante da economia. A rotina de uma motorista de caminhão, segundo ela, exige adaptação constante às distâncias e à ausência da família, além da resiliência necessária para enfrentar desafios pessoais.
“Acho a profissão linda e importante em todo o mundo. Ser caminhoneiro é uma tarefa difícil, mas essencial. Sem o transporte, não haveria produtos nos mercados, feiras e açougues. Somos os guerreiros que levam comida para a mesa do brasileiro”, defende.
Operação logística no campo
As caminhoneiras fazem parte da operação logística mantida pelo Grupo Bom Jesus, um dos maiores produtores do país, com atuação nos estados do Mato Grosso, Bahia e Piauí.
A empresa cultiva mais de 385 mil hectares de soja, milho e algodão, além de pecuária, e mantém estrutura própria de transporte para escoar a produção entre fazendas, armazéns e destinos finais.
Ao todo, 15 motoristas carreteiras integram a equipe responsável por essa operação. Todas são habilitadas na categoria E e conduzem caminhões bitrens de nove eixos nas mesmas rotas e operações realizadas pelos colegas homens.
Com quase cinco décadas de atuação — a empresa completa 50 anos em 2026 — o grupo mantém estrutura própria de transporte para escoar a produção.
Segundo Tania Ribeiro, diretora de Recursos Humanos, as motoristas se destacam pela organização, cuidado com o caminhão, atenção aos detalhes, resiliência e comunicação clara, demonstrando profissionalismo e comprometimento.
“Neste Dia Internacional da Mulher, a presença feminina nas operações do grupo, nas estradas e além delas, reflete uma transformação que ocorre de forma concreta em todo o universo agro, no dia a dia do campo e da logística”, afirma Tania Ribeiro.
Para Emerson João Skowronski, diretor geral Agrícola e Outros Negócios, a atuação das motoristas reforça o padrão técnico exigido na operação logística da companhia.
“Estamos falando da condução de conjuntos de nove eixos, com até 75 toneladas. É uma atividade que exige preparo técnico, responsabilidade e foco permanente. As motoristas desempenham essa função com segurança e alto nível de profissionalismo, dentro dos mesmos critérios rigorosos que adotamos em toda a nossa operação”, afirma.