Reidratação do fubá: pecuaristas mineiros usam técnica para ampliar rendimento da alimentação

    Técnica é utilizada também para reduzir custos com alimentação do rebanho

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    Técnica é utilizada também para reduzir custos com alimentação do rebanho. (foto - CNA/Senar)

    Técnica é utilizada também para reduzir custos com alimentação do rebanho. (foto - CNA/Senar)

    06deMarçode2023ás11:16

    O custo de produção é uma das principais preocupações dos produtores rurais da pecuária de leite, mas, em Caeté, uma tecnologia para reidratação do fubá de milho ensinada pelo técnico de campo, Higor Madureira, do Programa de Assistência Técnica e Gerencial do Sistema Faemg Senar (ATeG Balde Cheio) tem mudado esta realidade. 

    Em menos de um ano, o produtor Domingos Pinheiro, realata que deixou de desembolsar quase R$ 3 mil com concentrado, o que corresponde a uma redução de 5%, em relação à renda bruta da atividade desenvolvida em sua propriedade.

    “Saímos do convencional por vários fatores, mas principalmente também por agora termos condições de saber o que está incluso na dieta dos animais. O gado reagiu bem à novidade”, contou o produtor atendido pelo programa em parceria com o Sindicato Rural de Taquaraçu de Minas.

    Pinheiro utilizou neste período 3.910 quilos de milho fubá para alimentar seus animais, o que demandou um investimento de cerca de R$7.600. A reidratação garantiu o rendimento máximo de 44,88%, o que equivale a um ganho total de 1.485 quilos.

    A estratégia bastante econômica deu tão certo que fez com que o produtor parasse de investir na compra de concentrado comercial.

    Outro ganho está no leite produzido. Mesmo não sendo uma produção muito grande, como explica Madureira, as mudanças no manejo e a dieta mais rica em proteína e gordura proporcionaram mais rendimento da massa - com foco na fabricação de queijo e doce de leite para comercialização.

    Já segundo o produtor, todo o rebanho foi reformulado com a ajuda do técnico de campo. Atualmente, cerca de nove vacas em lactação, de um total de 15, rendem 80 litros de leite por dia.

    "Até o final dos atendimentos, a meta é ter 13 vacas lactantes com maior potencial genético e duas secas, passando para o percentual de 86,66% de vacas em lactação", diz.

    A expectativa, completa, é quase dobrar a produção, chegando a aproximadamente 150 litros/dia.  

    Mistura de fubá na reidrataçao.

     

     

    Técnica não exige muito investimento

    De acordo com Madureira, a técnica tem a seu favor o gato de não exigir grandes investimentos. Na propriedade de Domingos, por exemplo, é usada uma caixa d’água para fazer a reidratação que, basicamente, se resume à uma mistura de 16 a 18 litros de água para cada saco de 40 quilos de fubá.

    “A essa mistura são adicionados caroço de algodão e farelo de babaçu como fonte de proteína para substituir a soja. Depois, a caixa é vedada de forma cuidadosa com uma lona para evitar a entrada de ar, dando início ao processo de fermentação, como na silagem.”, recorda.

    Também entre os benefícios, estão uma boa digestibilidade e palatabilidade animal e o melhor aproveitamento dos nutrientes.

    O produtor Domingos Pinheiro realiza pré-dipping no rebanho. (foto - Sistema Faemg)

    Cuidados são necessários

    Uma ressalva do técnico é sobre não utilizar o alimento antes da completa fermentação. O aconselhado é aguardar 60 dias. Outra é cumprir a medida indicada de água para a reidratação.

    “Uma dica para achar o ponto correto é pegar uma quantidade da mistura na mão e apertá-la. A água não pode extravasar entre os dedos e, ao abrir a mão, o bolinho que se formou não pode esfarelar ou se desfazer com facilidade”, orienta. 

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