Tecnologia da Embrapa e Agrorobótica avalia pegada de carbono na lavoura
Inovação agiliza venda de crédito de carbono no mercado internacional
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Equipamento avalia a composição química do solo por meio de tecnologia a laser LIBS, que dispensa o preparo de amostras e não gera resíduos químicos. (fotos - Embrapa)
A união de diferentes softwares e sensores avançados é a ‘força’ da IA AGLIBS, plataforma de inteligência desenvolvida pela Embrapa Instrumentação (SP) e a agfintech Agrorobótica com foco nas lavouras brasileiras e no mercado voluntário de crédito de carbono.
Explica-se: a nova tecnologia reúne as diversas ferramentas para a digitalização do solo e das atividades agrícolas, permitindo financeiramente medir, reportar, verificar e comercializar (MRVC) o carbono na agricultura.
Com um adicional: ao mesmo tempo, é feita a gestão da fertilidade do solo e nutrição das plantas, para o gerenciamento de indicadores de sustentabilidade e produtividade agrícola.
O equipamento, explica pesquisadora da Embrapa, Débora Milori, avalia a composição química do solo por meio de tecnologia a laser LIBS (Laser Induced Breakdown Spectroscopy), que mede 22 parâmetros, dispensa o preparo de amostras e não gera resíduos químicos.
Aprovada mundialmente pela certificadora norte-americana Verra, que gerencia o principal programa voluntário de mercados de carbono do mundo, o LIBS é a mesma técnica que a agência espacial norte-americana (Nasa) embarcou nos robôs para avaliação do solo do Planeta Marte.
“Ela usa pulsos laser de alta energia para criar um microplasma na superfície da amostra, e assim, determinar a sua composição química. Por ser uma técnica analítica direta, ela pode ser aplicada a uma grande variedade de amostras em diferentes estados físicos da matéria”, explica Milori.
O CEO da Agrorobótica, Fábio Angelis, os hardware e software utilizados estão em fase de patenteamento, mas adianta que entre os parâmetros medidos estão: carbono quantitativo e qualitativo dos solos, textura (teores de areia, silte e argila), estoque de carbono no solo (t/ha), densidade do solo, pH, macro e micronutrientes.
“É diferente dos métodos de análise de solos convencionais que utilizam vários reagentes químicos para extrair esses nutrientes do solo e usam mais de dez métodos de medidas diferentes para obter a mesma informação que o LIBS mensura com um único tiro laser”, compara Angelis
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Fase experimental mapeou 600 mil hectares, em 17 estados brasileiros, incluindo lavouras de café, soja, milho e algodão
Lançamento oficial e números preliminares
A plataforma IA AGLIBS será lançada no aniversário de 50 anos da Embrapa, que será comemorado no dia 26 de abril, em Brasília (DF) e no estande da Embrapa durante a 28ª edição da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), que vai ocorrer de 1º a 5 de maio, em Ribeirão Preto (SP).
Segundo a Embrapa, a nova tecnologia é capaz de analisar mais de 1,2 mil amostras de solo diariamente, enquanto laboratórios que aplicam as metodologias tradicionais realizam em média de 800 a 900 amostras mensalmente.
Na fase experimental, nos últimos 12 meses, a plataforma de IA AGLIBS analisou amostras de solo envolvendo culturas de café, soja, milho algodão, pasto degradado, sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) de 75 pequenos, médios e grandes produtores rurais.
No total, foram 600 mil hectares mapeados, de 17 estados brasileiros. Dentro dessa atuação da Agrorobótica, foi possível construir um banco de solos espectral com mais de 300 mil espectros de solos brasileiros de todos os biomas.
Como a AGLIBS vai funcionar?
A empresa aposta em um modelo de prestação de serviços diferenciado para a nova tecnologia, oferecendo consultoria aos agricultores que fazem adesão ao programa de carbono.
Segundo Angelis, os serviços têm início com o envio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade sobre o qual todo o planejamento amostral estratégico do projeto é realizado.
Esse trabalho leva em consideração múltiplas informações para uma amostragem inteligente representativa.
“Esses dados são enviados para a equipe de coleta no campo que acessam as informações via aplicativo de celular. A coleta de solo é georreferenciada e cada amostra de solo é identificada com QRcode único” descreve o CEO.
Ele explica que informações do campo são enviadas para a nuvem e acessadas antecipadamente pela equipe da Agrorobótica. Em seguida, as amostras são transportadas para o Centro Fotônico da Agrorobótica onde cada uma delas é rastreada e identificada.
Posteriormente, a plataforma permite contabilizar a pegada estoque de carbono, que é um inventário com todas as fontes e sumidouros de gases de efeito estufa (GEE) influenciadas pelas atividades dentro dos limites geográficos da fazenda.
Também é assegurado que todos os serviços inclusos na plataforma são rastreáveis e auditáveis para manter confiança pública aos resultados gerados por ela.
Mercado mundial de carbono

CEO da Agrorobótica acredita que tecnologia irá impusionar mercado de carbono no Brasil
O CEO da Agrorobótica estima que a plataforma de IA AGLIBS permitirá estabelecer incentivos econômicos e instrumentos de mercado aptos a remunerar agricultores que adotem sistemas sustentáveis de produção.
Ele acredita que o Brasil poderá abrir uma oportunidade de se consolidar como o maior mercado mundial de crédito de carbono até 2030, com uma movimentação prevista de mais de US$ 100 bilhões, com a tecnologia auxiliando na construção desse mercado de carbono brasileiro.
“Além disso, o programa de baixo carbono insere o agricultor para uma política de Governança Corporativa, Social e Ambiental (ESG, sigla em inglês) valorizando as commodities agrícolas”, conclui Angelis.