Inflação poderá negativa em junho; Consumo de proteínas caiu 9%
Presidente do BC diz que juros futuros abrem espaço para queda
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Presidente do BC disse que o índice deverá terminar o ano com melhora em relação às previsões iniciais.
Em evento promovido pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá ficar negativa em junho e subir no segundo semestre
Segundo ele, o índice deverá terminar o ano com melhora em relação às previsões iniciais.
“Teremos meses [com o IPCA] entre 0,4% e 0,5% no fim do ano, o que vai fazer com que a inflação no ano fique mais ou menos entre 4,5% e 5%, mais perto de 4,5%. Isso é uma melhora em relação ao que esperávamos, mas uma melhora lenta”, declarou Campos Neto.
Na edição mais recente do Relatório de Inflação, divulgada em março, a previsão era que o IPCA encerraria o ano em 5,8%. A edição de ontem do Boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo BC, aponta expectativa de 5,42% para o IPCA neste ano.
Segundo Campos Neto, a queda no preço das commodities (bens primários com cotação internacional) tem contribuído para segurar a inflação. Ele, no entanto, alertou que a média dos núcleos de inflação (que exclui os preços com maior volatilidade) está caindo de forma mais lenta e continua mais alta que os índices finais.
“A gente ainda está com média de núcleos de 6,7%. A inflação no Brasil está bem menor que nos países avançados pela primeira vez na história. Isso significa que a gente tem um trabalho que foi feito que teve eficácia e que tem alguns itens na inflação mais voláteis que contribuíram positivamente”, disse o presidente do BC.
Agricultura
A agropecuária foi a área responsável por puxar o crescimento econômico no primeiro trimestre.
“Uma parte relevante do PIB [Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços produzidos no país] do primeiro trimestre veio da agricultura, mas os serviços vieram forte também. O comércio e indústria começaram a mostrar melhora”, disse.
Brasileiro reduz proteína
A inflação já faz reflexo na mesa dos brasileiros. O preço alto levou brasileiro a reduzir consumo de proteínas, de acordo com pesquisa realizada pela plataforma online Kantar, no primeiro trimestre deste ano com 3.800 pessoas.
Em consequência da inflação, o consumo de proteínas caiu 9% no período, contra -6% do segmento de alimentos e bebidas, à exceção da carne de porco.
A carne bovina, que tinha participação de 43,1% no primeiro trimestre de 2021, agora está com 39%. A trajetória de queda já era apontada em igual período de 2022, quando o consumo caiu para 40,5%. Já a carne suína fez o caminho inverso, subindo de 4,6%, entre janeiro e março de 2021, para 7,6%, no mesmo período de 2022 e, neste ano, para 9,1%.
A diretora do Painel de Uso da Kantar, Divisão Worldpanel, Aurelia Vicente, destaca que mesmo as proteínas mais baratas, como salsichas e linguiças, que se destacaram em 2022, perderam importância na mesa dos brasileiros na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.
O consumo de linguiças caiu de 15,4% para 14,9% e o de salsichas, de 4,8% para 3,8%. No curto prazo, o consumo de carne de aves também apresenta recuperação e, após alta de preços em 2022, a participação passa de 25,9% para 28,6% no primeiro trimestre de 2023.
Peixes e frutos do mar demonstraram estabilidade nos três primeiros meses deste ano, comparativamente ao mesmo período de 2022, com 4,3% de share, embora apresentando retração em relação a 2021 (6%).