PIB do agronegócio recua 2% no 1º trimestre após forte avanço em 2025

    Queda de 3,62% no ramo agrícola puxou o resultado, enquanto a pecuária avançou 0,70% entre janeiro e março

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    Desempenho das atividades agrícolas pressionou o resultado do setor nos primeiros três meses de 2026.

    Desempenho das atividades agrícolas pressionou o resultado do setor nos primeiros três meses de 2026.

    06deAgostode2026ás17:17

    Depois de crescer mais de 12% em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Em valores, a retração equivale a R$ 66,1 bilhões.

    O levantamento é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    O resultado foi puxado pelo ramo agrícola, que registrou queda de 3,62% entre janeiro e março, equivalente a R$ 74,6 bilhões. Na direção oposta, o ramo pecuário avançou 0,70%, com crescimento equivalente a R$ 8,6 bilhões.

    Com base nos dados consolidados do primeiro trimestre, o Cepea/CNA estima o PIB do agronegócio em R$ 3,13 trilhões em 2026, sendo R$ 1,88 trilhão do ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão do pecuário.

    Considerando esses resultados e o desempenho do PIB nacional no mesmo período, a participação do agronegócio na economia brasileira é estimada em 22,8% em 2026, abaixo dos 25,2% registrados em 2025.

    Pesquisadores do Cepea/CNA destacam que o resultado negativo dá continuidade à tendência observada no quarto trimestre de 2025, quando o PIB do agronegócio apresentou retração em relação aos três meses imediatamente anteriores. O movimento interrompeu a trajetória de crescimento registrada até o terceiro trimestre daquele ano.

    Apesar da mudança de tendência no fim de 2025, o PIB do agronegócio encerrou o ano com crescimento significativo, sustentado pelos resultados positivos observados nos três primeiros trimestres.

    Todos os segmentos do agronegócio recuam

    No primeiro trimestre de 2026, todos os segmentos do agronegócio apresentaram queda. A maior retração ocorreu no segmento primário, de 4,15%, seguido por insumos, com recuo de 2,15%; agrosserviços, de 1,25%; e agroindústria, de 1,03%.

    Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, o resultado foi influenciado pela expectativa de redução do valor da produção em 2026, decorrente principalmente da queda dos preços, que superou os ganhos projetados de produção em diversas atividades agrícolas e pecuárias.

    No segmento industrial, as agroindústrias de base agrícola registraram retração, enquanto as de base pecuária avançaram, devido à redução mais intensa do consumo intermediário.

    Já os agrosserviços foram influenciados pelo desempenho dos segmentos a montante. Houve queda no ramo agrícola e crescimento no pecuário, sustentado pela maior demanda por transporte, comércio e demais serviços associados ao aumento esperado da produção pecuária.

    Queda de preços pressiona ramo agrícola

    No ramo agrícola, a retração atingiu os diferentes elos da cadeia. No segmento primário, a queda esteve associada à redução do valor da produção, resultado principalmente da retração dos preços, com destaque para laranja, milho, café, cana-de-açúcar e trigo.

    Nos insumos agrícolas, o desempenho negativo foi liderado pelas indústrias de máquinas agrícolas e de defensivos, ambas impactadas pela redução simultânea dos preços e do volume de produção, em um cenário marcado por restrições de crédito e margens de rentabilidade mais estreitas.

    A agroindústria agrícola também recuou, influenciada pela queda dos preços reais, enquanto o volume produzido permaneceu praticamente estável. As maiores contribuições negativas vieram dos segmentos de açúcar, indústria do café e produtos de madeira.

    Os agrosserviços agrícolas acompanharam o desempenho dos segmentos a montante da cadeia. Apesar do crescimento da produção primária e da leve expansão da agroindústria, a queda dos preços reduziu a renda gerada no campo e limitou a demanda por transporte, armazenagem e outras atividades especializadas.

    Pecuária avança apesar da pressão sobre preços

    No ramo pecuário, o cenário foi diferente. Embora a produção tenha crescido, sobretudo nos segmentos de frango e suíno, a redução dos preços exerceu efeito predominante sobre o resultado do segmento primário.

    Os insumos pecuários também foram pressionados pelo desempenho negativo da indústria de rações, cujos preços recuaram em linha com a deflação observada no milho e no farelo de soja.

    Por outro lado, a agroindústria pecuária apresentou resultado positivo. Mesmo com a redução do valor bruto da produção em razão da queda dos preços em atividades como abate de carnes, laticínios e couro, a diminuição mais intensa do consumo intermediário sustentou o avanço do segmento.

    Os agrosserviços pecuários também cresceram, refletindo a expansão da produção primária e da agroindústria ao longo do ano, com aumento da demanda por transporte, logística refrigerada, crédito, câmbio e outras atividades de apoio à cadeia produtiva.

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