Javier Milei, da extrema direita, vence eleições primárias na Argentina
Cenário político no país vizinho agora tem três grandes forças
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Milei reproduz quadro similar ao ocorrido no Brasil com Jair Messias Bolsonaro, que interrompeu a dualidade entre PT e o PSDB
O candidato da extrema direita, Javier Milei do “La Libertad Avanza”, foi o mais votado nas eleições primárias da Argentina realizadas ontem (dia 13) com 30,04% dos votos com a contagem praticamente concluída.
Ele superou o atual ministro da Economia Sérgio Massa, do “Unión por la Patria”, com 21,4%, e o Patricia Bullrich, do “Juntos por el Cambio”, que teve 17%.
A votação refere-se ao PASO (ou Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias) que é a fase do processo eleitoral na Argentina para definição dos candidatos pleiteantes às Eleições Gerais, cujo primeiro turno ocorrerá em 22 de outubro.
De todas formas, o resultado marca uma mudança profunda no cenário eleitoral do país vizinho com o surgimento de uma terceira força em lugar da dualidade que marcou as últimas décadas.
O quadro é similar ao ocorrido no Brasil com o surgimento de Jair Messias Bolsonaro, em 2018. Mais à direita, ele interrompeu a dualidade entre PT e o PSDB, que controlavam o quadro político nacional desde a década de 1990.
O candidato mais votado nas primárias, Javier Milei é rotulado como de “extrema direita” e altera o tabuleiro de forças tradicionalmente dominado pelo kirchnerismo, representado por Sérgio Massa, e a centro-direita, de Patricia Bullrich.
"Quero agradecer a todos que se juntaram ao longo de 2022 e assim conseguimos construir essa alternativa que não só vai acabar com o kirchnerismo, mas também com a casa política que assombra este país. Viva a liberdade, ´carajo`!", disse Milei em seu discurso após o resultado.
Além deles, Juan Schiaretti, Horacio Rodríguez Larreta, Juan Grabois e Myriam Bregman superaram o mínimo obrigatório de 1,5% dos votos para poder disputar as eleições gerais.
Menor participação
Com cerca de 97,39% das urnas foram apuradas até as 7 da manhã de hoje, apenas 69,62% compareceram às urnas (24.016.776 de cidadãos), a menor participação em uma eleição presidencial primária. No total, 34.491.607 eleitores poderiam votar.
Este patamar ultrapassou os 67,78% das primárias legislativas de 2021, mas foi bem menor que os 76,40% das primárias presidenciais de 2019. 4,78% da população votou em branco e 93,84% dos votos foram válidos.
Milei venceu em 16 dos 24 distritos eleitorais do país, destacando-se Córdoba, Santa Fé, Mendoza e Jujuy. Já o “Unión por la Patria” foi o grupo mais votado em 5 distritos (Buenos Aires, Formosa, Santiago del Estero, Chaco e Catamarca). Juntos pela Mudança conseguiu reter os votos na Capital Federal, Corrientes e Entre Ríos.
Eleição parlamentar
Além disso, foram definidos os candidatos que disputarão no dia 22 de outubro as 130 cadeiras que se renovam na Câmara dos Deputados e os 24 cargos no Senado.
Na Câmara, a Frente de Todos (atualmente Unión por la Patria), que tem 118 cadeiras, perderia 18 cadeiras. O PRO, que tem 48 cadeiras, ganharia 16. A UCR, com 34, ganharia 1 representante. Enquanto isso, Evolución Radical, com 12 cadeiras, ganharia 2 cadeiras.
Pelo lado da Câmara Alta, cerca de oito províncias (Buenos Aires, Formosa, Jujuy, Misiones, La Rioja, San Luis, San Juan e Santa Cruz) definiram as listas de candidatos que em outubro renovarão 24 das 72 cadeiras existentes.