Consumo de pescado cresceu 65% no Brasil desde 2004
Semana do Pescado visa aumentar este número entre a população e a produção
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Em 2022, o país importou US$ 1,4 bilhão em pescado, contra US$ 300 milhões exportados
O consumo de pescado no Brasil cresceu 65% desde 2004 no Brasil A informação é do presidente do International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil), Altemir Gregolin.
A IFC Brasil, ao lado do Ministério da Pesca, está organizando a 20ª edição da Semana do Pescado. Segundo Gregolin desde a primeira edição, em 2004, ele viu aumentar o consumo de 6,5 quilos por habitante ao ano para dez quilos por habitante/ano hoje.
O objetivo da Semana do Pescado, a ser realizada em todo o país no período de 1º a 15 de setembro próximo, é tornar o consumo de pescado uma prática cotidiana do brasileiro e a meta é aumentar em 30% o consumo em relação às semanas normais.
“Precisamos descentralizar mais, chegar nos pequenos e médios municípios, dar capilaridade nacional à Semana do Pescado. Só o fato de ter 20 edições mostra a importância que o evento tem para o setor e para o aumento do consumo”, explica.
Segundo o presidente do IFC Brasil, “além das capitais, a meta descentralizar pelo o interior.”
“Em todos os estados há coordenadores, e as superintendências do Ministério da Pesca estão trabalhando nos estados, bem como as entidades do setor. A ideia é fazer chegar o pescado onde ele não chegava”, explicou ele, que disse que essa possibilidade é maior porque mais empresas entraram no setor e fazem com que o pescado chegue nas pequenas cidades.
Obstáculos
Um dos entraves observados nos anos anteriores era que os consumidores diziam que não consumiam porque não havia onde comprar. Isso está sendo superado com a ampliação do número de pontos de venda nas cidades onde o pescado chega, aponta.
“O que a gente faz é envolver o setor produtivo, desde a pesca artesanal, que tem capilaridade nacional, a piscicultura, os produtores de camarão, empresas que processam e distribuem. De outro lado, quem faz a venda, que são os bares e restaurantes e a rede de supermercados”.
Gregolin lembrou que a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) tem 94 mil lojas no país. “Se a gente conseguir mobilizar todo esse contingente, a gente faz o consumo bombar”.
O presidente do IFC Brasil destacou que cada região brasileira tem espécies mais consumidas e mais difundidas - só de peixes de cultivo há cerca de 20 espécies, embora algumas se destaquem entre as demais, como é o caso da tilápia, do camarão, do tambaqui.
Ele destacou que o aumento do consumo no mercado brasileiro é relevante não só para a questão da saúde da população, mas também porque puxa para cima a produção. O aumento de 65% no consumo em 20 anos refletiu em expansão de 60% na produção.
“E, mesmo assim, esse aumento da produção não atendeu a demanda de pescado”. Peixes como salmão e bacalhau não são produzidos no Brasil, cuja balança comercial é negativa.
Balança comercial
Até 2006, a balança comercial era positiva para o Brasil - o país exportava mais do que importava. A partir dessa data, com o aumento do consumo, a balança comercial ficou negativa.
Em 2022, o país importou US$ 1,4 bilhão em pescado, contra US$ 300 milhões exportados. “Significa que nós somos um país gigantesco, com infinidade de espécies e um potencial gigante, mas ainda deficitário.”
Gregolin argumentou que se o Brasil aumentar um quilo de pescado por habitante/ano, isso representa 200 mil toneladas de produto processado.
“Se a gente for transformar isso em peixe vivo, são 500 mil toneladas a mais que temos que produzir. Veja o potencial gigante do nosso mercado”, disse, lembrando que o Brasil é o quarto maior produtor de tilápia do mundo, atrás da China, Indonésia e Egito.
De acordo com estimativa da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), o Produto Interno Bruto (PIB) da aquicultura e da pesca alcança R$ 25 bilhões.
Segundo Gregolin, economicamente, ainda é uma fração pequena do PIB nacional, mas tem grande potencial em função da população brasileira.
O pescado beneficia toda uma cadeia que engloba mais de um milhão de pescadores, 300 mil aquicultores e gera 16 mil empregos diretos na indústria.
O pico do consumo ocorre durante a Semana Santa, entre março e abril. Depois há queda até agosto ou setembro, quando o consumo de peixe é retomado.