Piscicultura brasileira tem receita recorde com exportações em 2022

    Estudo da Embrapa aponta faturamento de U$S 23,8 milhões como o maior na história

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    Brasil produziu 860 mil toneladas em 2022. (foto - divulgação Embrapa)

    Brasil produziu 860 mil toneladas em 2022. (foto - divulgação Embrapa)

    18deAbrilde2023ás10:31

    A piscicultura brasileira conquistou em 2022, com a soma de US$ 23,8 milhões, o maior faturamento com exportações do pescado da história do Brasil, segundo boletim do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAqui), da Embrapa Pesca e Aquicultura, realizado em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). 

    O estudo, divulgado nesta terça-feira (dia 18), aponta para um aumento de 15% em receita na comparação com 2021. Os Estados Unidos são o principal consumidor do pescado brasileiro, respondendo por 81% das exportações nacionais, e por uma alta de 43% nas compras em 2022, atingindo US$ 19 milhões. 

    O Paraná responde por 58% das exportações brasileiras do setor; Mato Grosso do Sul, 18% e Bahia, 11%.

    Tilápia domina exportações

    O boletim destaca também o domínio da tilápia (Oreochromis niloticus), que respondeu por 98% das exportações em 2022. 

    A espécie registrou um salto de 28% nas exportações em relação a 2021, totalizando 23,2 milhões de dólares.

    A preferência dos estrangeiros se manteve na tilápia inteira congelada, promovendo um crescimento de 70% em relação ao ano anterior.

    Segundo a Embrapa, filés frescos ficaram em segunda posição, com 25% do total exportado e aumento de 8% em relação a 2021. Na modalidade “filés congelados” foi registrado o maior crescimento: de 98% entre 2021 e 2022.

    Já a segunda espécie mais exportada em 2022 foi o tambaqui (Colossoma macropomum), com US$ 268 mil e uma queda de 51% frente a 2021. A categoria dos surubins ocupou a terceira posição, com US$ 114 mil e crescimento de 186% no ano, sendo o maior crescimento entre as espécies. 

    Tilápia respondeu por 98% das exportações em 2022. (foto - Jefferson Christofoletti/Embrapa)

    Profissionalização do setor

    Segundo o pesquisador da Embrapa Manoel Xavier Pedroza Filho, o aumento da produção, principalmente da tilápia, e a busca por novos canais de venda são alguns dos fatores que explicam o aumento das exportações da piscicultura brasileira.

    “O crescimento do setor é o resultado de uma maior profissionalização e um aumento da escala de produção das empresas, permitindo a entrada no mercado internacional que é bastante exigente em termos de qualidade e volume”, explica ele.

    “Ao mesmo tempo, o mercado interno tem apresentando períodos de estagnação no consumo de peixes, levando a uma queda na demanda e nos preços. Nesse contexto, a exportação surge como uma alternativa para o escoamento da produção, diminuindo a dependência das empresas de um só mercado”, analisa o especialista.

    Para Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, 2022 foi um ano desafiador, mas a produção nacional se manteve em ritmo de crescimento. “A economia global manteve-se em desaceleração devido à pandemia e também foi impactada pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Além disso, foi um período de custos de produção elevados e desajustes no comércio internacional”, avalia.

    “Mesmo com essas e outras adversidades, a piscicultura brasileira cresceu 2%. Não foi um crescimento como em anos anteriores, porém, a atividade manteve a curva ascendente, comprovando a demanda crescente dos peixes de cultivo”, comenta ele.

     “No total, produzimos 860 mil toneladas, com destaque mais uma vez à tilápia. Os peixes nativos mantêm-se como um segmento de muita relevância, e outras espécies, como o pangasius (Pangasianodon hypophthalmus), estão crescendo”, relata.

    Vendas devem continuar em crescimento em 2023

    Para 2023, as expectativas também são otimistas tanto para o mercado interno como para o externo.

    Quanto às exportações, após um aumento de 15% em 2022, a perspectiva é de crescimento dos embarques em 2023, principalmente de tilápia inteira e filés congelados.

    Empresas do setor preveem um aumento das exportações da espécie, em especial no segundo semestre. A perspectiva de reabertura do mercado europeu para o pescado brasileiro – fechado desde 2018 – poderá contribuir para um aumento das exportações de produtos da piscicultura.

     

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