Brasil voltará a fazer grandes investimentos na África, diz Lula

    Angola é o único país do continente, além da África do Sul, com o qual o Brasil tem uma parceria estratégica

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    Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia oficial de despedida, no Palácio Presidencial de Luanda, Angola.

    Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia oficial de despedida, no Palácio Presidencial de Luanda, Angola.

    28deAgostode2023ás09:31

    O Brasil voltará a fazer grandes investimentos no continente africano. Foi o que afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Luanda, capital de Angola, onde se encontrou com o presidente local João Lourenço.

    "Agora, nós voltamos à África para dizer aos empresários brasileiros, aos angolanos, que nós voltamos pra valer. Vamos voltar a fazer financiamento para os países africanos, para Angola, que é um bom pagador das coisas que o Brasil investiu aqui", destacou Lula durante fórum empresarial que reuniu investidores de ambos os países

    Segundo Lula, "a volta ao Brasil ao continente africano não deveria ser uma volta, porque nós nunca deveríamos ter saído do continente africano.”

    “O Brasil não tem noção de quantas coisas poderemos fazer. Eu acho que a África oferece ao Brasil as oportunidades que o Brasil fica procurando, às vezes, em outros lugares", acrescentou.

    Agricultura

    Lula também anunciou uma parceria para ajudar no desenvolvimento da agricultura em Angola.

    Em seu discurso, o presidente angolano João Lourenço convidou os empresários brasileiros a investirem na África de "modo destemido". Ele citou uma série de oportunidades de negócios que o país oferece.

    "Reiteramos o convite aos empresários brasileiros a investirem em Angola de modo destemido. Temos particular interesse em ver investidores brasileiros investir no agronegócio, na indústria de curtumes [couro], na indústria de automóvel, na fabricação do trator de alfaias, nos adubos e fertilizantes, na produção de painéis solares, na indústria farmacêutica de produção de medicamentos e vacinas, nas indústrias de transformação da madeira, no turismo, na imobiliária e em todos os outros ramos que sejam do seu próprio interesse”, disse.

    Angola é o único país do continente, além da África do Sul, com o qual o Brasil tem uma parceria estratégica. O acordo foi assinado em 2010, durante o segundo mandato de Lula.

    Cooperação econômica

    Lula participou, ontem (dia 27) da 14ª Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em São Tomé, capital de São Tomé e Príncipe.

    A CPLP é formada por nove países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Além deles, o português também é língua oficial em Macau. Criada em 1996, a comunidade tem como objetivo facilitar a integração e cooperação entre essas nações,

    Os países da CPLP buscam ampliar cooperação econômica e empresarial.

    No evento, a presidência temporária da CPLP passou de Angola para São Tomé e Príncipe, para o biênio 2023-2025. Os temas principais da presidência santomense são “Juventude e Sustentabilidade”.

    O presidente brasileiro lembrou que os países da CPLP reúnem quase 300 milhões de consumidores, espalhados por quatro continentes e com um PIB de US$ 2,3 trilhões.

    “As transições digital e ecológica precisam ser aproveitadas para gerar oportunidades e evitar a concentração de renda e a desigualdade. A promoção do comércio e de investimentos deve garantir empregos dignos e verdes, e ter como objetivo a diversificação de nossa pauta exportadora para além das commodities”, disse.

    Lula reafirmou que a sustentabilidade deve ser trabalhada nas dimensões social, econômica e ambiental. Ele citou os resultados da Cúpula da Amazônia, realizada no início do mês, em Belém (PA), e disse que o enfrentamento à mudança do clima é um dos eixos centrais da atual política externa brasileira.

    “Muitos ali [em Belém] eram jovens que se engajam de diversas formas na luta contra a mudança do clima. Precisamos colocar as pessoas no centro das políticas públicas, criando soluções que remunerem de forma equitativa a preservação das florestas e da biodiversidade. Temos de evitar o neocolonialismo que leve a um novo ciclo de exploração predatória de minerais críticos e outros recursos naturais. A transição ecológica tampouco deve servir de pretexto para novos protecionismos verdes”, disse Lula.

    Segurança alimentar

    O presidente brasileiro destacou ainda o trabalho conjunto dos países-membros da CPLP na promoção da segurança alimentar e nutricional, no desenvolvimento da agricultura familiar e em programas de alimentação escolar. O presidente reafirmou que a capacidade do continente africano em se tornar “uma potência agrícola”. 

    “O Brasil continuará a ser parceiro nessa empreitada”, disse, citando que a versão do Mais Alimentos para a África deve ser retomada. Pelo programa, pequenos produtores têm acesso a crédito para compra de equipamentos. 

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