CNA cobra o governo ações emergenciais para pecuaristas

    Entidade pede ações para amparar a produção de leite e carne bovina.

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    Segundo a CNA, as cotações da arroba vêm apresentando retrações expressivas em 2023. (Foto - Wenderson Araujo/Trilux)

    Segundo a CNA, as cotações da arroba vêm apresentando retrações expressivas em 2023. (Foto - Wenderson Araujo/Trilux)

    18deSetembrode2023ás12:00

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) enviou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) pedindo apoio a pecuaristas de corte e de leite. A entidade cobra medidas emergenciais para amparar a produção nacional de leite e carne bovina.

    Entre o conjunto de ações solicitadas pela CNA está a criação de linhas emergenciais de crédito rural e a prorrogação de operações de custeio e investimento para pecuaristas prejudicados pela baixa dos preços. Além disso, a entidade pede uma linha de capital de giro para aqueles produtores que não pretendam comercializar o produto na baixa e renegociação de dívidas já vencidas.

    O presidente da entidade, João Martins, em ofício encaminhado ao ministro Carlos Fávaro, justifica a ação pelas “quedas abruptas que vêm ocorrendo no mercado dessas importantes proteínas animais”.

    Segundo a entidade, as cotações da arroba vêm apresentando retrações expressivas em 2023.

    “Um exemplo é a queda de 34,1% do preço da arroba do boi gordo em setembro em São Paulo, na comparação anual. A corrosão das margens do setor fica evidenciada ao verificarmos a queda de 41,3% no período, retornando aos patamares de 2020”, explica o ofício da CNA.

    CNA ressalta que o produtor foi o elo mais prejudicado pela fase de baixa do mercado do boi. Para um comparativo, o preço da arroba do boi gordo caiu 29,7% em agosto/23 em São Paulo, na comparação anual. No mercado atacadista, a queda foi de 17,2% para a carcaça casada (boi) e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para a carne bovina recuou 9,1% no mesmo período.

    “Considerando as expectativas de uma retomada da fase de alta nos preços do boi gordo somente em 2025, quando espera-se uma redução na oferta de animais, é fundamental que seja dado suporte aos produtores nesse momento de baixa do mercado”, diz a CNA

    Leite

    Em relação ao leite, a entidade relata que o segmento “luta para se recuperar da maior queda na produção ocorrida no ano passado” e vem sendo penalizado por elevadas importações de leite, que já somam 1,42 bilhão de litros de leite de janeiro a agosto deste ano.

    “O valor do leite recebido pelo produtor retraiu cerca de 27% nos últimos 12 meses, ao passo em que os desembolsos reduziram apenas 7,4% no período, corroendo as margens de um setor composto majoritariamente por pequenos e médios produtores”, afirma a CNA.

    Nesse contexto, a entidade defende, diante das margens estreitas e o desempenho econômico prejudicado, ações urgentes de auxílio as cadeias da bovinocultura.

    A CNA afirma que os países do Mercosul respondem por mais de 97% do leite importado pelo Brasil e que a Argentina vem aplicando medidas de subsídio à pecuária leiteira, o que gera distorções de mercado e concorrência desleal.

    “Tais medidas são necessárias para a manutenção da produção de proteínas animais no campo, com vistas a garantir a geração de empregos e divisas no país, evitando a saída de produtores da atividade e a possibilidade de desabastecimento desses alimentos no médio e no longo prazo”, conclui a CNA.

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