Brasil deve recuperar área de arroz e feijão na safra 23/24
Estimativa é que haja expansão de área em torno de 10,2% para o arroz
Por |
No Rio Grande do Sul, principal estado produtor de arroz, a expectativa é de expansão de 12,1% da área. (Foto - Claudio Fachel/RS)
O Brasil deve recuperar a área de arroz e feijão na safra 2023/2024. É o que aponta a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A previsão é que haja expansão de área em torno de 10,2% na próxima safra de arroz e incremento de produtividade de 2,4%. Essa combinação de fatores resulta em uma projeção de crescimento de 12,8% no volume produzido de arroz pelo Brasil, totalizando uma safra nacional de 11,3 milhões de toneladas.
Já para o feijão, a previsão é que haja expansão de área em torno de 1,9% na próxima safra, pela primeira vez desde a safra 2016/17. A área de feijão deve chegar a 2,7 milhões de hectares em 2023/24. No entanto, a produção deve ficar em 3 milhões de toneladas, 2,4% menos que em 2022/23.
"O estudo uma boa notícia, que é a melhoria da área plantada do arroz e feijão, sinalizando que teremos mais comida na mesa do brasileiro. A retomada de políticas públicas pelo governo brasileiro, como o Plano Safra, compras públicas e garantia de preços mínimos deram um sinal positivo para quem quer produzir comida", afirmou presidente da Conab, Edegar Pretto.
O incremento na área plantada para o arroz é influenciado tanto pela expectativa de melhora no cenário de preços, que aliada a uma redução de custos traz uma perspectiva de melhor rentabilidade para os produtores e produtoras.
“Além disso, o fenômeno El Niño tende a influenciar em uma provável redução de área de soja em áreas baixas em razão da expectativa de maior intensidade das chuvas. Com isso, o produtor tenderá a priorizar o arroz, que é mais resistente à inundação”, explica o diretor de Política Agrícola e Informações da Companhia, Silvio Porto.
No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a expectativa é de expansão de 12,1% da área, para 966,9 mil hectares.
Feijão
Também é esperada uma alta na área semeada de feijão, comportamento que pode ser explicado, em parte, pela expectativa de melhor rentabilidade frente às culturas concorrentes, como soja e milho, pelo retorno mais rápido do investimento devido ao ciclo mais curto da cultura, entre outros fatores.
Em contrapartida, este aumento da área plantada não será acompanhado de uma melhora produtiva, uma vez que se projeta uma queda na produtividade média das lavouras brasileiras, sobretudo em razão da probabilidade de ocorrência de El Niño.
“Caso se confirme a presença desse fenômeno, possivelmente ocorrerá uma redução das precipitações pluviométricas na Região Nordeste, e riscos de excesso de chuvas no Sul do país, durante os períodos de colheitas”, pondera o gerente de Fibras e Alimentos Básicos da Conab, Gabriel Rabello.
Apesar da tendência de redução da produtividade da leguminosa, a maior área plantada sustenta a produção nacional próxima de 3 milhões de toneladas, o que garante o abastecimento.