Publicitário se reinventa no agro e transforma histórias do campo em conexão com a cidade
Trajetória mistura comunicação, gastronomia e vivências pelo interior do Brasil para revelar a origem dos alimentos

Bom na cozinha e de conversa. Mas, antes de tudo, bom de recomeço.
A trajetória de Daniel de Pauli não segue uma linha reta e talvez seja justamente isso que a torna mais interessante.
Publicitário de formação, ele construiu carreira em multinacional, decidiu empreender, enfrentou o fracasso, recomeçou e encontrou no agronegócio não apenas um nicho, mas um caminho.
Foi na comunicação entre campanhas, eventos e idas a campo que o agro entrou de vez na sua vida. E nunca mais saiu.
O primeiro contato veio ainda no início da carreira, dentro da multinacional de fertilizantes Stoller do Brasil. Ali, muito além da criação publicitária, ele mergulhou no dia a dia do setor.
“Foi uma bela escola. Eu não ficava só na criação. A gente desenvolvia material técnico, ia para o campo gravar depoimento com produtor, acompanhava lançamento de produto, montava evento. Era uma imersão completa. Foi ali que eu comecei a entender, de fato, como o agro funciona e como ele se comunica”, explica ao Agrofy News.
Depois da experiência na Stoller, também atuou como gerente de comunicação na Produquímica, em São Paulo, ampliando a vivência no setor.
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Foram anos de aprendizado intenso. Mas também de inquietação.
Filho de empreendedor, Daniel carregava a vontade de construir algo próprio. E, em determinado momento, percebeu que havia chegado ao limite dentro da estrutura corporativa. A decisão veio acompanhada de risco.
“Eu sentia que o foco da empresa não era comunicação, e isso naturalmente limitava o crescimento dentro da área. Ao mesmo tempo, eu sempre tive essa vontade de empreender. Aquilo começou a pesar. Eu pedi demissão da multinacional para abrir minha primeira agência. Foi uma decisão difícil, mas muito consciente. Eu sabia que precisava tentar.”

O erro que virou direção
A primeira experiência empreendedora foi em Uberaba (MG), onde fundou sua primeira agência, a PlanoCOM, no coração da pecuária brasileira. Mas o início esteve longe de ser ideal. O problema era estrutural.
“Eu montei uma agência do zero, aprendi muito, errei bastante também. Tive sócios, enfrentei dificuldade de mercado, tentei entender como me posicionar. Foi uma escola importante, mas também muito dura. As grandes empresas da região buscavam agência em São Paulo. O mercado local era mais voltado para pequenas empresas, varejo. E o negócio não evoluía como eu imaginava”, afirma.
Até que veio uma a quebra.
“Eu praticamente quebrei em Uberaba. Foi um momento difícil, de muita reflexão. Mas também foi ali que eu comecei a entender melhor o que precisava ser diferente.”
A volta para Campinas, em 2009, não foi apenas geográfica — foi estratégica.
“Eu voltei pensando no que fazer. Se voltava para o mercado, se tentava empreender de novo. E foi numa conversa com meu pai que veio a virada.”
Ela veio em forma de incentivo e de deu um norte para ele.
