Cotação do milho tem sustentação para seguir em alta no mercado interno

    Apesar de queda hoje em Chicago, preço do cereal pode passar a subir também nos EUA

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    Estoques finais de passagem da safra mundial 2022/23 podem ser menores que o previsto. (foto - CNA)

    Estoques finais de passagem da safra mundial 2022/23 podem ser menores que o previsto. (foto - CNA)

    09deOutubrode2023ás18:29

    A cotação do milho mantém uma sequência de altas com acumulado de 3,92% nos primeiros dias outubro, após subir 7,34% no mês de setembro. O preço da saca de milho, segundo o Cepea, chegou a R$ 59,72 na última sexta-feira. 

    As explicações são as valorizações do cereal nos portos e o bom ritmo das exportações brasileiras da safra atual, além da força do dólar, que favorece os preços no mercado interno.

    No cenário externo também há fundamentos para altas, como a alta do petróleo e a desesperança sobre uma possível renovação no acordo do Mar Negro. Contudo, a Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) teve baixa para o milho hoje (veja abaixo).

    Segundo pesquisadores do Cepea, muitos vendedores se recuaram das negociações no spot nacional, uma vez que não há necessidade de fazer caixa, e as preocupações relacionadas à armazenagem estão se reduzindo.

    Assim, esses agentes têm pedido valores maiores nas novas vendas de milho. Demandantes, por sua vez, relatam dificuldades nas aquisições, e os que buscam repor estoques e/ou comprar novos lotes precisam pagar valores maiores.

    Cotação do milho hoje

    A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o milho fechou a sessão de hoje com baixa nos preços. O mercado foi pressionado pela força do dólar frente a outras moedas correntes e pelo avanço da colheita nos Estados Unidos. As preocupações com uma ampla oferta global completaram o cenário baixista.

    No início do dia, o cereal chegou a operar em alta, buscando suporte no desempenho extremamente positivo do petróleo em Nova York e nas preocupações com a seca na Argentina, que está atrasando o plantio de cereais no país.

    Além disso, existe o receio de que, se a falta de umidade persistir, a área plantada na Argentina poderá diminuir. Estes fatores, portanto, impediram um maior movimento negativo na sessão.

    Por fim, os agentes começaram a se posicionar frente ao relatório de oferta e demanda de outubro, que será divulgado nesta quinta-feira (12), Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

    Na sessão, os contratos futuros de milho com com entrega em dezembro de 2023 operaram com baixa de 3,75 centavos, ou 0,76%, cotados a US$ 4,88 1/4 por bushel. Os contratos com entrega em março de 2024 operaram com recuo de 3,50 centavos, ou 0,68%, cotados a US$ 5,03 3/4 por bushel.

    Corte na previsão de safra americana?

    Analistas consultados pela Reuters estão prevendo que o relatório rebaixará as estimativas para as colheitas de milho e soja nos Estados Unidos, que são os maiores produtores mundiais do cereal.

    Analistas consultados pelas agências internacionais apostam em uma produção de 15,1 bilhões de bushels de milho em 2023/24, ficando abaixo dos 15,134 bilhões de bushels indicados em setembro, mas acima dos 13,730 bilhões de bushels colhidos na temporada 2022/23.

    A produtividade média deve ficar em 173,5 bushels por acre, aquém dos 173,8 bushels por acre indicados em setembro, mas acima dos 173,3 bushels por acre colhidos na safra 2022/23. A área a ser colhida de milho deve ficar em 86,7 milhões de acres, inferior aos 87,1 milhões de acres estimados no mês passado, mas acima dos 79,2 milhões de acres registrados na temporada 2022/23.

    Os estoques finais de passagem da safra 2023/24 norte-americanos devem menores, em 2,145 bilhões de bushels, abaixo dos 2,221 bilhões de bushels previstos em setembro.

    Para a safra global 2023/24, os estoques finais de passagem devem ser indicados em 313 milhões de toneladas, abaixo das 314 milhões de toneladas apontadas em setembro.

    A previsão é de que os estoques finais de passagem da safra mundial 2022/23 sejam apontados em 298,4 milhões de toneladas, inferior frente às 299,5 milhões de toneladas indicadas no mês passado.

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