Dançou: PF investiga Alexandre Pires por mineração ilegal em terra Yanomami

    Cantor é suspeito de ter recebido R$ 1 milhão de uma mineradora investigada

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    Artista foi conduzido na manhã de ontem (dia 4) à sede da PF em Santos, ouvido e liberado. (Foto-Redes Sociais Alexandre Pires)

    Artista foi conduzido na manhã de ontem (dia 4) à sede da PF em Santos, ouvido e liberado. (Foto-Redes Sociais Alexandre Pires)

    05deDezembrode2023ás16:44

    O cantor Alexandre Pires foi alvo da operação Disco de Ouro da Polícia Federal que investiga um esquema de lavagem de dinheiro, financiamento e logística que envolve a exploração ilegal de minérios na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. As buscas foram ontem (dia 4), no navio que o cantor estava, em Santos, litoral de São Paulo.

    O cantor é suspeito de fazer parte do esquema que movimentou R$ 250 milhões em transações com cassiterita, minério usado para a produção de tintas, plásticos e fungicida, e que foi extraído ilegalmente da Terra Indígena Yanomami.

    Alexandre Pires é acusado de ter recebido cerca de R$ 1 milhão de uma mineradora investigada no esquema. Ele foi conduzido na manhã de ontem (dia 4) à sede da PF em Santos, ouvido e liberado.

    Ele informou hoje (dia 5) via nota de sua defesa ao G1 que "não tem e nunca teve qualquer envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena."

    "Salientamos que o cantor e compositor Alexandre Pires jamais cometeu qualquer ilícito, o que será devidamente demonstrado no decorrer das investigações, reiterando sua confiança na Justiça brasileira", disse a defesa do cantor.

    A mineradora que teria pago o cantor seria de Matheus Possebon, preso pela PF no navio em que o cantor estava. Possebon é empresário do artista e acusado de ser um dos responsáveis pelo núcleo financeiro dos crimes.

    Além de Matheus, a PF também prendeu o empresário Christian Costa dos Santos, que atua com garimpo ilegal em Roraima.

    A Opus Entretenimento, que tem entre seus executivos Matheus Possebon, e é responsável pela gestão da carreira de Alexandre Pires, informou desconhecer qualquer atividade ilegal relacionada a funcionários e parceiros da empresa.

    Em relação ao artista, manifestou solidariedade e disse que segue "confiando em sua idoneidade e no completo esclarecimento dos fatos".

    Como funciona o esquema?

    A operação é um desdobramento de uma ação da PF deflagrada em janeiro de 2022, quando foram apreendidos 30 toneladas de cassiterita extraídas da Terra Indígena Yanomami que se encontravam depositadas na sede de uma empresa investigada e estariam sendo preparadas para exportação.

    O inquérito policial indica que o esquema seria voltado para a “lavagem” de cassiterita retirada ilegalmente da terra indígena, no qual o minério seria declarado como originário de um garimpo regular no Rio Tapajós, em Itaituba (PA), e supostamente transportado para Roraima para tratamento.

    As investigações apontam que tal dinâmica ocorreria apenas no papel, já que o minério seria originário do próprio estado de Roraima.

    A PF ainda determinou o sequestro de mais de R$ 130 milhões dos suspeitos.

    “As transações financeiras envolvem toda a cadeia produtiva do esquema, incluindo pilotos de aeronaves, postos de combustíveis, lojas de máquinas e equipamentos para mineração, além de laranjas para encobrir as fraudes”, diz a PF.

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